Pompeia importava substâncias aromáticas da África e Ásia, diz estudo
Produtos eram usados em queimadores de incensos há 2 mil anos
Um novo estudo em Pompeia, famosa cidade no sul da Itália destruída pela erupção do vulcão Vesúvio há quase 2 mil anos, revela que a localidade integrava uma rede comercial global com a descoberta do uso de substância aromáticas importadas da África e da Ásia em queimadores de incensos nos altares domésticos.
Especialistas das Universidades de Zurique, Munique, Bonn, Kiel e Dublin, em colaboração com o Parque Arqueológico de Pompeia, analisaram as cinzas remanescentes nestes objetos, que eram parte de um ritual dedicado aos deuses.
"Agora podemos demonstrar concretamente que tipos de incensos eram queimados, de fato, no culto doméstico em Pompeia", afirmou o coordenador do estudo, Johannes Eber, da Universidade de Zurique, acrescentando que, "além de plantas regionais, também encontramos vestígios de resinas importadas, um sinal de extensas relações comerciais". Em um dos recipientes, foram descobertos "restos de resina de uma árvore exótica, provavelmente de regiões tropicais da África ou da Ásia".
O pesquisador Maxime Rageot, da Universidade de Bonn, revelou que "as análises moleculares [das cinzas] indicam a presença de um produto derivado da uva em um dos queimadores".
"Isso seria consistente com o uso de vinho em rituais retratados na arte romana e informados em fontes escritas, ao mesmo tempo que demonstra a importância de integrar estudos arqueológicos com análises", falou Rageot.
"A combinação de várias técnicas químicas e microscópicas modernas permite conhecer a vida religiosa diária dos habitantes de Pompeia", reforçou Philipp W. Stockhammer, da Universidade de Munique.
O Parque Arqueológico de Pompeia, que recentemente inaugurou uma nova exposição permanente, que entre outros destaques, também traz um grande número de achados orgânicos, como restos de plantas, alimentos e objetos de madeira, enfatiza a importância desse tipo de estudo.
"Sem Pompeia, nosso conhecimento do mundo romano seria menos rico. Porém, trata-se de uma riqueza de conhecimento e dados que somente a arqueologia contemporânea pode explorar de modo adequado", exaltou o diretor do Parque, Gabriel Zuchtriegel.
"Graças à integração com outras ciências, ainda podemos descobrir muito sobre a vida na cidade antiga", destacou.
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