Pinóquio, de Collodi, completa 145 anos com programação especial na Itália
História original de menino de madeira difere de adaptações modernas
Pinóquio, o menino de madeira mais famoso do mundo, completará 145 anos no próximo 7 de julho. Para celebrar a data, que coincide com o bicentenário de nascimento de seu autor, o italiano Carlo Collodi, tanto o parque em homenagem ao personagem quanto a fundação dedicada ao escritor oferecerão uma programação especial com tarifas promocionais.
Situados em Collodi, na Toscana, o Parque Pinóquio e a Fundação Carlo Collodi darão entrada livre para todos os nascidos em 7 de julho, além de 20% de desconto no ingresso de entrada para os demais.
Já no dia 11 do mesmo mês, haverá um debate aberto ao público com o tema "O Boneco Multimídia: Pinóquio nos Quadrinhos", o qual irá explorar a relação entre o personagem de "As Aventuras de Pinóquio" e suas reinterpretações em diversas mídias, a começar pelas HQs.
Ainda no segundo semestre, a mostra "Carlo Collodi 1826-2026" irá viajar por Madri, na Espanha, e por Guadalajara, no México, a fim de levar o melhor da produção do autor, evidenciando complexidade, modernidade e relevância cultural em sua obra.
Passaram-se 145 anos desde 7 de julho de 1881, quando o "Giornale per i Bambini" ("Jornal das Crianças") publicou o primeiro capítulo de uma história destinada a se tornar uma das mais lidas do mundo. Quase um século e meio depois, Pinóquio é um dos personagens italianos mais conhecidos a nível global, devido, principalmente, às adaptações sobre o livro de Collodi em outras mídias.
Entre as versões mais conhecidas, está a animação da Disney, de 1940, que apresenta o boneco fabricado pelo artesão Geppetto como ingênuo e distraído.
Lançamentos mais recentes têm apresentado novas releituras da obra, como o filme de Robert Zemeckis (2022), que traz Tom Hanks no papel do pai de Pinóquio e modifica o final da história original.
Na animação de Guillermo del Toro, também de 2022, as aventuras do menino de madeira ocorrem no período pós-Segunda Guerra, quando o fascismo imperava na Itália.
No entanto, Roberto Vezzani, da Fundação Nacional Carlo Collodi, explica que nenhuma das propostas foi fiel à narrativa do escritor toscano.
"A história original tem um certo tom sombrio, sendo escrita 20 anos depois da unificação italiana [1861], quando o país lutava para encontrar uma unificação real", disse Vezzani à BBC News Mundo.
"Havia muita pobreza e muitos problemas sociais [na Itália]. Por isso, a história, normalmente considerada uma temática infantil, na verdade, reflete os problemas da Itália daquela época", acrescentou.
Carlo Collodi, pseudônimo de Carlo Lorenzini, nasceu em Florença em 1826. Ele adotou o sobrenome pelo qual ficou conhecido para homenagear o vilarejo natal de sua mãe.
Escritor e jornalista, passou a se dedicar à literatura infantil a partir de 1876, com publicações em séries para o jornal Il Fanfulla. Apesar de ser autor de outros livros, nenhum fez tanto sucesso quanto "As Aventuras de Pinóquio". Collodi faleceu aos 63 anos, em 1890.
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