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Livraria mais famosa de Veneza é tomada pela água

A Acqua Alta contabiliza 150 mil euros em danos

15 nov 2019
12h01
atualizado às 13h01
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A histórica inundação que alagou mais de 80% do centro histórico de Veneza no último dia 12 de novembro provocou danos em diversas atrações turísticas da cidade, incluindo sua livraria mais famosa.

A loja, ironicamente chamada "Acqua Alta", fica a 600 metros da Praça San Marco, no coração do centro histórico veneziano, e foi tomada pela água na enchente da última terça.

O nome da livraria faz referência ao fenômeno da "acqua alta" ("água alta", em tradução livre), que virou símbolo da cidade, mas vem provocando cada vez mais transtornos.

"Teremos de jogar fora 150 mil euros em livros. O dano é enorme, mas recomeçaremos", disse o dono da loja, Luigi Frizzo. Os funcionários ainda tentaram colocar livros, revistas e discos de vinil em banheiras e na gôndola que fica dentro do estabelecimento.

"Mas desta vez não serviu de nada, a água subiu tanto que entrou na gôndola e nas banheiras. E esse é o resultado", acrescentou Frizzo, apontando para seu filho, Lino, que empilhava centenas de volumes apodrecidos.

A "acqua alta" se caracteriza por marés iguais ou superiores a 80 centímetros acima do nível médio da Lagoa de Veneza. Na última terça, esse índice chegou a 187 centímetros, o segundo maior valor já registrado na história, atrás apenas dos 194 centímetros da inundação de 4 de novembro de 1966.

Porém nem todos os livros danificados serão desperdiçados. Boa parte será colocada na "escada" formada por exemplares atingidos por inundações anteriores e que fica nos fundos da livraria, criando uma espécie de terraço com vista para o canal. "Nunca se joga fora um livro", disse Frizzo, agora sorrindo.

A Sociedade Italiana de Autores e Editores anunciou uma doação de 150 mil euros para ajudar livrarias e bibliotecas afetadas pelas enchentes em Veneza, incluindo a Acqua Alta. "Livros, discos, obras de arte e filmes são bens materiais e imateriais e, como tal, encarnam nossa cultura. É nosso dever defendê-los por aquilo que são e por aquilo que representam", afirmou o presidente da entidade, Giulio Rapetti Mogol.

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