Itália investiga funcionário de museu após roubo milionário
Segurança é suspeito de ter dado falso testemunho sobre crime
Um segurança do Museu Regional de Messina, na Itália, virou alvo de investigação por falso testemunho após o roubo milionário de obras renascentistas de Antonello da Messina, ocorrido em 15 de agosto. Contradições nos depoimentos e o desligamento indevido do alarme levantaram suspeitas de cumplicidade ou negligência da equipe. Quatro funcionários foram afastados enquanto as autoridades apuram o crime, que resultou no furto de peças avaliadas em dezenas de milhões de euros.
Um dos seguranças do Museu Regional Accascina Messina (MuMe), na Sicília, sul da Itália, foi incluído no registro de investigados por suspeita de falso testemunho no caso do roubo de seis obras do mestre renascentista Antonello da Messina (1430-1479).
A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo jornal romano La Repubblica, que publicou que o funcionário havia sido convocado para depor como testemunha junto com outros três colegas que estavam de serviço na noite do crime, ocorrido em 15 de agosto, data do principal feriado de verão no país.
No entanto, a audiência foi suspensa após os magistrados identificarem contradições significativas entre a versão do suspeito e os depoimentos dos demais funcionários. Diante das inconsistências, ele passou a ser formalmente investigado por prestar declarações falsas ao Ministério Público.
De acordo com a reconstrução inicial, o segurança mencionou que o alarme não estava ativado, mas a cronologia apresentada por ele não se sustenta diante das evidências coletadas. Outro vigia admitiu ter ouvido o alerta soar e desligado o sistema por acreditar que se tratava de um sinal falso.
Os investigadores querem descobrir se a equipe de segurança agiu apenas com incompetência ou se houve participação ativa no crime, sobretudo porque os dois ladrões que invadiram o museu demonstraram grande familiaridade com o espaço, circulando com segurança durante a ação, enquanto outros dois cúmplices aguardavam do lado de fora.
Os quatro funcionários interrogados foram colocados em férias e não voltarão a trabalhar no MuMe após o período de descanso. O Departamento de Patrimônio Cultural da Sicília aguarda o relatório da diretora do museu, Marisa Mercurio, para instaurar processos disciplinares, que podem resultar até em demissão.
O crime ocorreu na noite de 15 de agosto, feriado de Ferragosto, quando a cidade de Messina celebrava a tradicional procissão da Assunção de Maria. Os criminosos aproveitaram a movimentação da data para invadir o museu e levar seis obras de Antonello da Messina avaliadas em dezenas de milhões de euros.
Trata-se dos cinco painéis do "Políptico de São Gregório", têmpera sobre madeira pintada em 1473, e de uma pintura dupla face que retrata a Virgem com o Menino Jesus e um franciscano em adoração de um lado e a piedade de Cristo do outro.
Durante a fuga, os assaltantes abandonaram dois dos cinco painéis do políptico (tipo de retábulo dividido em várias partes) em uma mureta do lado de fora do MuMe. .
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