Cartunista e escritor espanhol morre aos 93 anos em Madri
O cartunista, escritor e membro da RAE (Real Academia Espanhola - a Academia de Letras do país) Antonio Mingote faleceu aos 93 anos, em Madri. O anúncio foi feito nesta terça-feira (3) pelo jornal ABC, no qual o artista publicou grande parte das criações de sua longa carreira.
O corpo foi levado para o parque do Retiro de Madri para as últimas homenagens e, na quarta (4), será cremado em cerimônia fechada, segundo a publicação.
Desde 1953, os quadrinhos e ilustrações do cartunista eram publicados pelo ABC, sem que, no entanto, Mingote abandonasse a paixão pela escrita. No período, ele publicou vários livros e colaborou com produções para o cinema e para a televisão, segundo a Secretaria de Cultura espanhola.
Presentes das páginas de jornais a paredes de uma estação de metrô madrilena, seus personagens refletiram durante décadas as mudanças na política e na vida dos espanhóis. "Hoje, o povo de Madri, as pessoas sobre quem ele escreveu histórias e a quem amava como ninguém darão a ele um emocionado último adeus", anunciou o periódico no obituário do artista, sem indicar o motivo de sua morte.
Homenagens
Nas horas seguintes à morte de Mingote, personalidades do jornalismo e da política expressaram pesar pela perda. O ministro da Cultura da Espanha, José Ignacio Wert, por exemplo, afirmou que "cada vinheta que ele criava era um autêntico editorial gráfico". "Sua vida e sua obra foram um manifesto ao engenho e ao sentido do humor. Falar de ilustração gráfica é fazer referência a este mestre emblemático", acrescentou.
A Real Academia Espanhola decretou luto, e seu diretor, José Manuel Blecua, expressou, "em nome da instituição", a tristeza que traz a morte do companheiro, desde 1987 ocupando a cadeira "R" no local. "A bandeira da Academia foi hasteada a meio mastro em sua memória", afirmou.
Como escritor, Mingote deixou obras de ficção como Las palmeras de cartón, de 1948, e Adelita en su Desván, de 1991.