Café inova em formatos e experiências com hábitos das novas gerações
Jovens passaram a valorizar maneiras diferentes de consumir a bebida
Impulsionado pelas novas gerações na chamada "terceira onda", o consumo de café transformou-se em uma experiência sensorial e artesanal, similar à do vinho. Jovens valorizam a qualidade, a origem dos grãos e métodos manuais lentos, além de inovações como o cold brew e receitas mais doces e exóticas. Essa busca por novidades e preparos diferenciados coexiste harmonicamente com os formatos tradicionais, sem anular o apreço histórico pelo produto básico e pelo espresso.
Em meio às celebrações do Dia Internacional do Café, comemorado nesta quinta-feira (1º), a maneira de consumir uma das bebidas mais populares do mundo tem ganhado novos formatos com a chegada de jovens gerações de consumidores, que buscam cada vez mais valorizar o aspecto artesanal e a experiência, além de buscar preparações mais lentas e versões adocicadas e longas.
A evolução histórica do consumo de café pode ser dividida em três ondas. A primeira, que vai do final do século 19 até meados do 20, foi marcada pela presença da bebida como um item básico nos lares, sem grandes preocupações com a origem ou o tipo do grão.
A segunda, que teve início no pós-guerra e se estendeu até a década de 1990, é caracterizada pela popularização do "espresso" e pela experiência de consumir café fora de casa, além do surgimento de grandes redes de cafeterias.
Já a terceira onda, que ganhou força a partir dos anos 2000, é marcada pela valorização da experiência sensorial e da qualidade do produto. O café deixou de ser visto apenas como uma bebida e passou a ser tratado como um produto artesanal complexo, em um movimento semelhante ao que ocorre com o vinho.
Ao mesmo tempo, os consumidores passaram a valorizar a origem dos grãos e métodos de preparo filtrados manualmente, como V60, prensa francesa e Aeropress, por exemplo.
"O café passa a ser uma experiência por causa dessa busca por qualidade e, para se diferenciar, a indústria se desenvolve e cria novas formas. A experiência nasce para que seja valorizada toda a cadeia de qualidade", explicou o barista José Cordeiro, professor da Università del Caffè da illycaffè em São Paulo, em entrevista à ANSA.
O assunto foi debatido em um evento realizado pela illy em São Paulo, que contou com a presença de jornalistas e influenciadores.
Um dos queridinhos da nova geração de apaixonados por café é o cold brew, preparado por meio da infusão de grãos moídos em água fria por um longo período. O resultado é uma bebida mais suave, refrescante e adocicada, com menor amargor e acidez.
Além da atenção à qualidade e à experiência proporcionada aos clientes, as cafeterias também passaram a preparar bebidas mais elaboradas, incluindo opções com rodelas de limão, refrigerantes, calda de caramelo e chantilly.
"Os jovens buscam métodos de preparo diferentes. Eles não estão só preocupados com a qualidade, eles querem que uma experiência aconteça, gostam de uma explicação e de uma bebida mais exótica, sempre estão buscando uma nova cafeteria, um novo lugar e um novo método", afirmou Cordeiro.
Embora esse estilo mais "slow" e elaborado tenha ganhado força nos últimos tempos entre os jovens, a forma de consumir café da terceira onda não anula as das duas anteriores, de acordo com Cordeiro. As diferentes maneiras de apreciar a bebida se sobrepõem, e os métodos mais tradicionais continuam presentes entre muitos amantes do café. .
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