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Bósnia e Herzegovina: Copa do Mundo de Cinema

No campo cinematográfico, a Bósnia e Herzegovina durante décadas permaneceu "escondida" sob o arcabouço do cinema iugoslavo - não à toa, o primeiro longa-metragem bósnio, Major Bauk, foi lançado apenas em 1950

5 jun 2026 - 21h33
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Por Tem Que Ver Cinema*

Foto: Porto Alegre 24 horas

Resultado da dissolução da antiga Iugoslávia, a Bósnia e Herzegovina chega à sua segunda Copa do Mundo da FIFA. Estreante nos Mundiais em 2014, no Brasil, os bósnios chegam a esta edição confiantes no talento amadurecido de uma geração liderada por Edin Dzeko, principal futebolista do país.

Os Dragões (Zmajevi, em bósnio), como é popularmente conhecida a seleção nacional, estarão a representar uma sociedade multiétnica, cujo poder estatal se estrutura num modelo tripartite (isto é, dividido por três grupos sociais distintos: bósnios, sérvios e croatas). Sergej Barbarez, em sua primeira temporada como treinador, foi o responsável por levar a Bósnia e Herzegovina à Copa - e de modo dramático, diga-se de passagem, após eliminar País de Gales e Itália, respectivamente, na repescagem das Eliminatórias da UEFA, em partidas cujo desfecho veio apenas na disputa de pênaltis.

No campo cinematográfico, a Bósnia e Herzegovina durante décadas permaneceu "escondida" sob o arcabouço do cinema iugoslavo - não à toa, o primeiro longa-metragem bósnio, Major Bauk, foi lançado apenas em 1950. Destaque-se nessa curta história o icônico cineasta Emir Kusturica, que embora etnicamente seja sérvio, nasceu na cidade de Sarajevo, capital bósnia na atualidade. Sua criatividade o tornou um dos cineastas mais celebrados em todo o mundo nos anos 1980 e 1990 - são deles obras como Underground - Mentiras de Guerra (1995), Gata Preta, Gato Branco (1998) e o famoso documentário Maradona by Kusturica.

Após o processo de independência, efetivado em 1992, viu-se uma efervescência cultural ímpar não apenas no país, mas em toda a região dos Bálcãs, movimento este que levou à constante presença e consagração das obras bósnias em festivais mundo afora. A Guerra da Bósnia e seus impactos e traumas no período pós-conflito, bem como as tensões étnicas na emergente nação são temas recorrentes.

O primeiro grande sinal da emergência internacional do cinema bósnio veio com a conquista, em 2002, do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo longa Terra de Ninguém, do diretor Danis Tanović. Uma vez estando as portas abertas, não demoraria para o reconhecimento de outras obras, como O Fogo está Queimando (2003) e Em Segredo (2006) - este último foi o vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim.

Para entrar em campo pela Bósnia e Herzegovina na Copa do Mundo de Cinema, escolhemos como representante Quo Vadis, Aida?, filme da diretora Jasmila Žbanić. Lançado em 2020, o longa também concorreu ao Oscar de Melhor Filme Internacional no ano seguinte. Acompanhamos aqui Aida (Jasna Đuričić), uma tradutora da ONU que tenta salvar sua família e seu povo durante a invasão do exército sérvio à cidade de Srebrenica. Reconfigura-se a gramática do filme de guerra ao focar na engrenagem burocrática e psicológica que precede o horror real registrado na história: o massacre de Srebrenica, ocorrido em 1995, o maior genocídio europeu no pós-Segunda Guerra Mundial. Na narrativa, o suspense não nasce da dúvida se o massacre acontecerá - pois o espectador consciente e informado conhece a história -, mas de como as instituições falham sistematicamente em impedi-lo.

*Texto originalmente publicado no portal Tem Que Ver Cinema

Porto Alegre 24 horas
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