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Até 25 de agosto, SP-Foto terá 33 galerias e 43 expositores

Maior feira de fotografia do Brasil traz imagens de fotógrafos como Helmut Newton e Sebastião Salgado, além de convidar curadores estrangeiros

21 ago 2019 03h11
| atualizado em 22/8/2019 às 11h19
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Criada em 2007, a SP-Foto - Feira de Fotografia de São Paulo chega à 13.ª edição trazendo fotógrafos internacionais como o uruguaio Yamandu Canosa, que está na Bienal de Veneza de 2019 com a instalação La Casa Empatica, que trata de temas como território, identidade e miscigenação. Ao lado de Canosa estão outros grandes profissionais da fotografia, entre eles o alemão (naturalizado austríaco) Helmut Newton (1920-2004), nome associado à moda, e o brasileiro Sebastião Salgado, com imagens de um Brasil ameaçado de desaparecer - fotos das últimas tribos indígenas do País.O evento acontece entre 21 e 25 de agosto, no JK Iguatemi, com entrada gratuita. 

Pilotado pela empresária Fernanda Feitosa, a SP-Foto transformou-se nesses 13 anos numa plataforma de lançamento de jovens fotógrafos e atraiu um número significativo de colecionadores estrangeiros, além de curadores de museus que todo ano desembarcam em São Paulo para participar de um ciclo de palestras (chamado Talks). Na edição deste ano estão três curadoras que vão discutir desde a fotografia na era digital até a intersecção entre a fotografia e a arte contemporânea. São elas a futura curadora da Triennale do New Museu (em 2021), Margot Norton, que assina também a curadoria da primeira retrospectiva da artista britânica Sarah Lucas nos EUA, a especialista em fotografia Barbara Tannenbaum, que fez crescer em cinco vezes o acervo do Cleveland Museum, e a venezuelana Julieta González, diretora artística do Museo Jumex, que atuou na Tate.

A SP-Foto – Feira de Fotografia de São Paulo – chega à sua 13ª edição e acontece entre 21 e 25 de agosto
A SP-Foto – Feira de Fotografia de São Paulo – chega à sua 13ª edição e acontece entre 21 e 25 de agosto
Foto: Divulgação

São 33 galerias e 43 expositores e um número recorde de curadores estrangeiros convidados desta edição, entre eles Simon Baker, novo diretor, desde maio do ano passado, da Maison Européenne de la Photographie, e ex-curador de Fotografia da Tate Modern, além de professor de história da arte. Nomes como Baker não só projetam fotógrafos brasileiros lá fora como fazem crescer o acervo de fotografia do País em museus estrangeiros. Exemplo disso foram as recentes aquisições de fotógrafos modernos brasileiros, egressos do histórico Foto Cine Clube Bandeirante, pelo MoMA de Nova York (instituição que coleciona fotos de autores do País há 60 anos, com imagens recentes de Mauro Restiffe e Miguel Rio Branco no acervo, os dois na SP-Foto).

Fernanda Feitosa, criadora da feira, destaca a presença de jovens fotógrafos ao lado dos veteranos. É claro que um autorretrato da norte-americana Francesca Woodman (1958-1981), que se matou aos 22 anos, pode custar uma fortuna (algo entre US$ 7 mil e US$ 30 mil), mas há outros talentos à espera de serem descobertos. Fotógrafos brasileiros em ascensão deverão atrair o olhar do público na 13.ª edição da SP-Foto. Por exemplo, se existe um fotógrafo na trilha aberta pelo britânico Martin Parr, 62, que cruza a livre criação com a linguagem documental, é o jovem paulistano Júlio Bittencourt, 39, que viveu parte de sua vida em Nova York.

Martin Parr faz antropologia com humor inglês, satirizando o modo de vida da classe média que frequenta resorts populares e praias lotadas. Bittencourt, também oriundo do fotojornalismo, tratou da mesma paisagem de balneários, mas com olhar compassivo para a massa de deserdados do piscinão de Ramos (RJ). Há outra diferença entre os dois: uma foto da série The Last Resort (1982-86), de Martin Parr, custa uma pequena fortuna, algo em torno de R$ 40 mil. Os preços das fotos de Julio Bittencourt (da série Ramos) são mais modestos: entre R$ 15mil e R$ 17 mil.

Não se trata apenas de uma questão de ordem financeira, mas é certo que há uma disputa maior pelos veteranos em feiras de arte como a SP-Foto. Desse modo, é mais provável que fotógrafos modernos formados na época do Foto Cine Clube Bandeirante - digamos Thomas Farkas, Gaspar Gasparian ou German Lorca - atinjam uma cotação dez vezes superior a um fotógrafo contemporâneo da mesma estatura. Isso está mudando, em função de galerias que começam a incorporar em seu time fotógrafos consagrados, caso da Galeria Marcelo Guarnieri, representante de Claudia Jaguaribe e Cristiano Mascaro - a galeria já trabalhava com fotógrafos históricos, como Gautherot e Verger.

Nomes que marcaram a história são caros. Uma foto do carioca José Oiticica Filho (1906-1964), pai do artista neoconcreto Hélio Oiticica (1937-1980), custa, em média, R$ 30 mil. Já uma contemporânea como a paulistana Sonia Dias, representada pela mesma galeria, Renato Magalhães Gouvêa Jr., alcança um terço dessa cotação (R$ 9.500), mas suas chances de ser disputada como Oiticica no futuro são grandes. Com cerca de 13 anos de carreira, ela se destaca por seu olhar atento ao ambiente, ao homem e à presença da luz como elemento transformador de ambos.

Um fotógrafo estrangeiro em ascensão e com o mesmo tempo de carreira, o sul-africano David Ballam formou-se em 2004 e já está em grandes coleções desde que abandonou a fotografia comercial e dedicou-se ao registro da cultura de tribos africanas. Uma imagem de uma jovem de Turkana, na fronteira da Etiópia com o Quênia, feita no ano passado, está à venda na SP-Foto por R$ 15 mil.

Documentarista, o fotógrafo e cineasta francês Jean Manzon (1915-1990), operou no mesmo registro, percorrendo o Brasil em busca de contato com tribos indígenas. Radicado no Brasil, ele fez reportagens para a extinta O Cruzeiro, sobrevoando aldeias nunca antes contatadas. De seu acervo com mais de 8 mil negativos estarão à mostra na galeria Almeida e Dale fotos desses primeiros contatos com índios. Contemporâneo de Manzon, o norte-americano Duane Michals, hoje com 87 anos, é o autor de um dos objetos mais cobiçados, o retrato de Magritte (tiragem de 30 exemplares) com um chapéu saído de uma de suas telas. Uma foto dele alcançou US$ 15 mil num leilão da Christie's. Um pouco mais que um autorretrato de Francesca Woodman, a trágica e promissora fotógrafa, morta aos 22 anos.

Entrevista com Fernanda Feitosa, criadora e diretora da SP-Foto

Cresceu muito o interesse de museus estrangeiros pela fotografia brasileira?

Muito, especialmente depois de 2015, e um exemplo disso foi a aquisição pela curadora Sarah Meister de fotos dos modernistas para o MoMA de Nova York.

Além dela, Tanya Barston, que foi curadora da Tate e agora está em Barcelona, também levou os modernos brasileiros para Londres. E os fotógrafos contemporâneos?

Há cinco anos Tanya descobriu o Gaspar Gasparian aqui na SP-Foto. Ela tem interesse pelos modernos do Foto Cine Clube Bandeirante, mas também pelos contemporâneos, como Mauro Restiffe.

O público brasileiro tem prestigiado a SP-Foto em todas as edições, mas fica a pergunta: quem compra?

Nunca fizemos uma pesquisa, mas 20% dos visitantes compram e outros 80% vêm para conhecer ou olhar. O número de colecionadores tem crescido e hoje temos até um Museu da Fotografia no Brasil, fundado por Sílvio Frota em Fortaleza. / A.G.F.

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Estadão
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