Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

AP x Swatch: jogada genial de marketing ou risco para a exclusividade da Audemars Piguet?

Renan Bastos analisa como a colaboração Royal Pop reacendeu debates sobre branding, proteção de marca e percepção de valor no mercado de relógios de luxo

21 mai 2026 - 13h03
Compartilhar
Exibir comentários

A colaboração entre Audemars Piguet e Swatch, oficialmente apresentada como coleção Royal Pop, se tornou um dos assuntos mais comentados do mercado de relógios de luxo em 2026. O lançamento movimentou o setor de forma intensa e dividiu opiniões entre colecionadores, analistas e entusiastas da alta relojoaria. Enquanto parte do mercado classificou a parceria como uma estratégia brilhante de marketing e expansão cultural da marca, outra parte interpretou o movimento como um risco para a exclusividade construída pela Audemars Piguet ao longo de décadas.

Renan Bastos
Renan Bastos
Foto: Divulgação / Mais Novela

A discussão vai além do produto em si. Para muitos analistas, a colaboração levanta uma questão mais profunda: o que teria levado uma das marcas mais exclusivas da relojoaria suíça a se aproximar de uma marca de apelo popular como a Swatch? Do ponto de vista financeiro, a própria Audemars Piguet afirmou que 100% dos lucros da colaboração serão destinados a iniciativas de preservação e transmissão da arte da relojoaria para novas gerações. Isso fez com que parte do mercado descartasse uma motivação puramente comercial.

Ao mesmo tempo, o lançamento ocorreu em meio a debates envolvendo propriedade intelectual e proteção do design do Royal Oak. Especialistas jurídicos e análises publicadas por veículos internacionais apontaram que a colaboração pode estar relacionada ao enfraquecimento da proteção jurídica do famoso bezel octogonal da marca em determinados mercados, incluindo discussões envolvendo decisões no Japão e nos Estados Unidos EUA.

Para Renan Bastos, esse ponto ajuda a explicar por que a colaboração pode representar algo além de marketing. Radicado em Miami, nos Estados Unidos EUA, onde atua através da RC Crown no mercado secundário de relógios de luxo, o empresário acompanha de perto a evolução global do setor e as mudanças na dinâmica de proteção de marca e percepção de valor. "Existe uma leitura estratégica importante. Em vez de o mercado ser inundado por produtos extremamente baratos inspirados no Royal Oak sem qualquer controle da marca, a Audemars Piguet consegue participar dessa conversa cultural através de um produto que ela própria supervisiona."

A escolha do formato também chamou atenção. Diferente do que grande parte do mercado esperava, a coleção não foi lançada como um relógio de pulso tradicional nos moldes do MoonSwatch da Omega. A AP e a Swatch optaram por um relógio pocket contemporâneo e modular. Segundo Renan da Rocha Gomes Bastos, isso reduz o impacto direto sobre o Royal Oak tradicional. "O fato de não ser um relógio de pulso preserva uma certa distância do produto principal da marca. Mesmo que eventualmente apareçam adaptações feitas por terceiros, a colaboração original não substitui o Royal Oak tradicional."

A repercussão global também mostrou a força cultural da Audemars Piguet. Filas em diferentes países, debates em redes sociais e ampla cobertura internacional reforçaram o alcance da colaboração muito além do público tradicional da alta relojoaria. Nesse ponto, Renan Bastos acredita que a estratégia de marketing foi extremamente eficiente. "Do ponto de vista de branding, o movimento foi muito forte. Pessoas que talvez nunca tivessem contato com a AP passaram a conhecer a marca e o design do Royal Oak."

Ao mesmo tempo, parte dos colecionadores mais tradicionais demonstrou preocupação com possível perda de exclusividade. Para esse público, aproximar a linguagem visual da Audemars Piguet de um produto acessível poderia enfraquecer o prestígio associado ao Royal Oak. Ainda assim, Renan da Rocha Gomes Bastos acredita que o impacto financeiro sobre os modelos tradicionais pode não ser tão significativo quanto parte do mercado imagina. "O Royal Oak original já possui uma construção de valor muito consolidada. No curto prazo, acredito que o efeito maior será cultural e de percepção de marca, mais do que necessariamente financeiro."

A colaboração também evidencia uma mudança mais ampla na indústria do luxo. Marcas historicamente associadas à escassez começam a explorar novas formas de relevância cultural em um ambiente cada vez mais conectado por redes sociais, gerações mais jovens e expansão digital. No mercado de relógios de luxo, onde narrativa, liquidez e percepção caminham juntas, movimentos como esse deixam de ser apenas lançamentos de produto e passam a funcionar como estratégias de posicionamento global.

No fim, a colaboração AP x Swatch talvez não responda apenas se uma marca pode se aproximar do mercado popular sem perder exclusividade. Ela também levanta outra questão que continua dividindo o setor: a Audemars Piguet realizou uma das jogadas de marketing mais inteligentes da relojoaria recente ou abriu um precedente perigoso para o futuro da própria marca?

Mais Novela
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra