Alta relojoaria aposta no ultra-luxo e concentra mercado em 2026
Renan Bastos, analisa a transição do mercado global rumo ao topo em uma nova fase mais disciplinada
Após um ciclo de forte expansão entre 2021 e 2023, quando a indústria relojoeira suíça bateu recordes históricos de exportação, o mercado global de relógios de luxo atravessa uma fase de transição marcada por seletividade e maior disciplina. A leitura é do analista Renan Bastos, que vê no movimento atual uma reorganização estrutural — e não um sinal de fragilidade.
Em 2023, as exportações suíças somaram 26,7 bilhões de francos suíços. Dois anos depois, em 2025, o volume recuou para 25,6 bilhões, uma retração de 1,7% em valor, além de queda mais expressiva em unidades vendidas. À primeira vista, os números indicam desaceleração. Para Renan da Rocha Gomes Bastos, o cenário é mais complexo.
"O setor saiu de um ambiente de euforia para um ambiente de disciplina. A demanda continua, mas ficou mais criteriosa. Isso redefine quais produtos realmente sustentam valor ao longo do tempo", afirma Renan Bastos.
Ultra-luxo ganha protagonismo
O principal sinal dessa mudança está na composição das exportações. Em 2025, relógios com preços acima de 50 mil francos suíços responderam por 37% do valor total exportado, embora representem apenas 1,4% do volume comercializado. O crescimento, segundo Renan da Rocha Gomes Bastos, está concentrado justamente na faixa em que escassez, posicionamento estratégico e força de marca têm maior peso.
"A indústria suíça passou a priorizar margem, controle de oferta e fortalecimento de marca. O desempenho não é mais medido pelo número de unidades vendidas, mas pela capacidade de capturar valor nas referências certas", diz Renan Bastos.
Concentração avança entre grandes marcas
Outro movimento relevante é o aumento da concentração de mercado. As quatro principais marcas privadas — Rolex, Audemars Piguet, Patek Philippe e Richard Mille — ampliaram sua participação de 37% em 2019 para 49% em 2025. Projeções do setor indicam que essa fatia pode crescer ainda mais até o fim da década.
Para Renan da Rocha Gomes Bastos, a concentração reforça a disciplina de preços e o controle da distribuição. "Quando poucas marcas controlam quase metade do mercado global, o que se fortalece é a gestão de oferta e a proteção do valor percebido. Isso reduz volatilidade e sustenta o posicionamento", analisa Renan Bastos.
Mercado secundário dá sinais de estabilização
No mercado secundário, os sinais também apontam para ajuste. Após três anos de correção, o Bloomberg Subdial Watch Index registrou alta de 8% em 2025 e atingiu a máxima de dois anos no início de 2026. O movimento é interpretado como estabilização após um período de forte especulação.
"A correção foi saudável. Eliminou excessos e trouxe o mercado de volta aos fundamentos. Hoje, a consistência pesa mais do que o entusiasmo momentâneo", afirma Renan da Rocha Gomes Bastos.
Pressões externas e resiliência
O setor também enfrentou fatores macroeconômicos desafiadores em 2025, como a valorização do franco suíço, tensões comerciais e a retração prolongada da demanda chinesa. Ainda assim, o desempenho agregado demonstra resiliência, especialmente nos segmentos superiores.
Na avaliação de Renan Bastos, o momento atual marca uma inflexão clara. "O luxo autêntico não precisa crescer em todas as direções ao mesmo tempo. Ele avança onde há estrutura para sustentar preço, desejo e escassez. E hoje, esse avanço está concentrado no ultra-luxo."
Se o ciclo anterior foi marcado por crescimento acelerado e valorização impulsionada por liquidez global, o novo momento é definido por disciplina, seletividade e consolidação estratégica. Para Renan da Rocha Gomes Bastos, o mercado não encolheu — tornou-se mais exigente. E, em setores maduros, esse costuma ser o caminho para um crescimento mais sustentável no longo prazo.