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88% dos brasileiros realizaram ao menos uma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses

Dados da 7ª Edição da Pesquisa Hábitos Culturais mostram que procura por shows musicais teve alta de 6 pontos percentuais. Em casa, brasileiro gosta de ouvir música e assistir a séries, filmes e novelas

14 out 2026 - 00h11
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Resumo
Pesquisa do Observatório Fundação Itaú e Datafolha mostra que 88% dos brasileiros participaram de atividades culturais presenciais no último ano, com alta em shows (51%), centros culturais e museus, tendo ruas e praças como palcos principais. No ambiente digital, música online e streaming lideraram. Apesar da retomada, o acesso à cultura ainda enfrenta fortes barreiras de desigualdade socioeconômica, escassez de equipamentos nas periferias e medo gerado pela violência urbana e pelo assédio.

O interesse e a participação dos brasileiros em atividades culturais presenciais voltaram a subir no último ano. É o que revela a 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha. Segundo o levantamento, 88% da população participou de pelo menos um evento presencial nos últimos 12 meses — um avanço em relação aos 84% registrados no período anterior.

Entre as atividades presenciais, um dos destaques foram os shows de música, que atraíram 51% dos entrevistados (crescimento de 6 pontos percentuais em relação a 2025). Também registraram alta as visitas a centros culturais (de 26% para 32%) e a museus (de 16% para 21%).

Os shows de música têm ganhado a preferência no hábito cultural do brasileiro, aponta pesquisa
Os shows de música têm ganhado a preferência no hábito cultural do brasileiro, aponta pesquisa
Foto: Pedro Kirilos/Estadao / Estadão

Além disso, espaços abertos e populares continuam sendo o principal palco da cultura no País. Ruas e praças foram apontadas por 68% dos entrevistados como os locais onde mais realizam atividades, seguidas por igrejas e espaços religiosos (61%) e parques (54%).

Consumo em casa e no ambiente digital

Entre as atividades não presenciais ou realizadas no ambiente doméstico, ouvir música on-line é apontada por 85% da população como uma prática cultural realizada no último ano. Assistir a filmes em plataformas de streaming e a séries on-line também têm destaque, com 76% e 73%, respectivamente. As novelas vêm logo em seguida, com 56%. No formato físico, a leitura de livros impressos manteve relevância, sendo declarada por 54% dos entrevistados — mesmo índice dos que afirmam ouvir podcasts.

No ranking geral de atividades (somando práticas presenciais e digitais), as cinco mais citadas no país foram:

  1. Ouvir música on-line (85%);
  2. Assistir a filmes em plataformas de streaming (76%);
  3. Assistir a séries on-line (73%);
  4. Eventos ao ar livre em espaços públicos (63%);
  5. Assistir a novelas (56%).

O levantamento ouviu 2.448 indivíduos em todas as regiões do país, de 16 a 65 anos, entre os dias 7 e 20 de julho de 2026. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Desigualdade social e violência dificultam o acesso à cultura

A pesquisa revela, no entanto, que os hábitos culturais são diretamente afetados pela desigualdade econômica no país: 35% dos entrevistados citam questões financeiras como o maior obstáculo para frequentar eventos presenciais.

Os dados sobre o hábito de ir ao cinema deixam a questão evidente: 63% dos entrevistados das classes A/B frequentaram salas no último ano, contra apenas 18% da classe D/E — uma diferença de 45 pontos percentuais. Essa mesma disparidade aparece no teatro (41% na A/B contra 17% na D/E) e em centros culturais (47% contra 27%).

Outro problema apontado é a falta de infraestrutura nas periferias: 33% dos brasileiros relatam que não existe nenhum equipamento cultural na região onde moram.

A segurança também se consolida como uma barreira relevante: a violência e a insegurança surgem como o segundo maior motivo de desestímulo (30%), impulsionadas pelo medo de assaltos (47%). Além disso, a preocupação com assédio ou violência contra a mulher em espaços culturais subiu para 27% das menções gerais, alcançando 38% entre as mulheres entrevistadas.

Estadão
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