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Graças ao esporte, crianças passam a ter orgulho da Maré

Organizações sem fins lucrativos apostam na prática esportiva e atendem centenas de crianças na comunidade do Rio de Janeiro

8 dez 2021 13h00
| atualizado às 19h10
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Aula de jiu-jitsu no Espaço Tijolinho, no Complexo da Maré, antes da pandemia
Aula de jiu-jitsu no Espaço Tijolinho, no Complexo da Maré, antes da pandemia
Foto: Jeferson Silva / ANF

Um estudo publicado pela organização Todos Pela Educação revela um aumento de 171% na evasão escolar na pandemia, cerca de 244 mil adolescentes entre 6 e 14 anos estão fora da escola. Pensando em uma forma de ajudar crianças a se inserirem socialmente e incentivar a prática esportiva no Complexo da Maré, bairro no Rio de Janeiro, organizações sem fins lucrativos desenvolvem projetos voltados para o esporte e apoio social.

Jeferson Costa Silva, conhecido como Shaolin, professor no Luta pela Paz e criador do Espaço Tijolinho, atua há seis anos em um desses projetos, na Nova Holanda, dentro do Complexo da Maré, atendendo a 246 jovens com cadastros ativo na ONG, e outros 300 indiretamente, alunos que já passaram pelo projeto.

Shaolin diz que o Espaço Tijolinho é um abrigo para as potências da Maré. “A gente tem jiu-jitsu, luta livre, capoeira, futebol e desenvolvimento pessoal, que é o nosso objetivo maior, afim de dar o ‘papo reto’ para essas crias da Maré, através da nossa vivência”, conta Shaolin.

Durante a pandemia, o projeto atuou minimizando o impacto, fazendo visitas e doações de cestas básicas. Agora, estão voltando com turmas reduzidas, mas qualquer problema que houver relacionado à pandemia, terão que fechar novamente.

Shaolin fala que as crianças do Tijolinho, lugar que dá nome ao projeto, eram mal vistas, mas a ONG fez as crianças terem orgulho de ser da região. “Foi uma das nossas maiores vitórias”.

Crianças praticando capoeira na Luta pela Paz, no Complexo da Maré
Crianças praticando capoeira na Luta pela Paz, no Complexo da Maré
Foto: Mateus de Araújo / ANF

Outra ONG que atua no Complexo da Maré, com 17 projetos voltados para o esporte, é o Luta pela Paz, que tem o esporte como um dos seus cinco pilares. Além do boxe e artes marciais, as atividades de desenvolvimento pessoal oferecem aos alunos e alunas todo o suporte social necessário para que eles se tornem campeões na vida e jovens líderes.

Para isso, a instituição investe no acompanhamento social e psicológico desses jovens, através de mentorias, atendimentos e encaminhamentos assistenciais, entendendo que, para uma educação de qualidade, é necessário sempre condições para um aprendizado eficiente. 

“O Luta pela Paz busca minimizar a mazela escolar em que muitos dos seus alunos e alunas se encontram, trazendo uma bagagem curricular necessária, além das novas perspectivas de futuro”, afirma Julie Oliveira, assistente de comunicação do Luta pela Paz

Crianças em momento de confraternização no Tijolinho, no Complexo da Maré
Crianças em momento de confraternização no Tijolinho, no Complexo da Maré
Foto: Jeferson Silva / ANF

O desenvolvimento psicológico das crianças com a prática esportiva

A psicóloga Cláudia Milene, que trabalha no Caps Ad (Centro de Apoio Psicossocial ao Usuário de Álcool e Drogas) de Nilópolis, é uma das idealizadoras do Projeto Mulheres, Vozes e Escuta, e conta que a prática esportiva é de extrema importância porque ajuda na formação do indivíduo e no desenvolvimento físico, intelectual, social e emocional.

A psicóloga diz ainda que auxilia muito no tratamento da ansiedade, transtorno de déficit de atenção (TDH) e no desenvolvimento social na prática de esportes coletivos como o futebol, vôlei e outros nos quais exigem a prática do coletivo. Além disso, ensinam a criança a lidar com a perda e ocupam o tempo desenvolvendo várias áreas do cérebro. Milene aponta que ocupar o tempo da criança com o esporte é melhor do que dar um celular para elas, embora com os jogos eletrônicos, a criança receba o mesmo estímulo.

“Acho extremamente importante o trabalho do educador físico dentro da comunidade onde a criança tem contato com a criminalidade, porque ela tendo um jogador de futebol, judoca ou nadador como ídolo, a referência dela vai ser outra e ela vai procurar ter atitudes e buscar coisas para crescer de forma correta. Aqui no Caps tenho pacientes de 14 a 17 anos e todos falam que viam os caras cheios de ouro e ‘minas’ e queriam ser iguais a eles”, conclui Cláudia Milene.

A professora de educação física Laís Lemos, concorda com a psicóloga ao dizer que o esporte é um excelente meio da criança começar a se inserir na sociedade e afirma que a educação física é o espaço mais propício para aprenderem com brincadeiras, principalmente quando elas têm muita privação de espaço para brincar. Lais afirma que o esporte auxilia no desenvolvimento da autoestima da criança.

ANF
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