Trio que descobriu canais iônicos fotossensíveis leva Nobel de Medicina 2026
O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026, anunciado nesta segunda-feira (5), foi concedido ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por descobertas "sobre os canais iônicos fotossensíveis e a optogenética", anunciou o Comitê Nobel, reunido em Estocolmo.
Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel venceram o Nobel de Medicina de 2026 pela descoberta de canais iônicos fotossensíveis e pelo desenvolvimento da optogenética. A técnica utiliza a luz para controlar células neuronais, permitindo avanços cruciais na compreensão do cérebro e na criação de tratamentos para doenças como Parkinson, epilepsia e deficiências visuais. A escolha superou favoritos como os estudos sobre o GLP-1 e abre a tradicional temporada de premiações do Nobel.
Karl Deisseroth, de 54 anos, Peter Hegemann, de 71, e Georg Nagel, de 73, foram escolhidos pela Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, a universidade médica sueca. Eles dividirão um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de € 1,07 milhão, o equivalente a R$ 6,8 milhões.
As pesquisas tiveram início quando Peter Hegemann e Georg Nagel descobriram uma proteína chamada channelrhodopsina em uma alga unicelular. Em seguida, o psiquiatra e neurologista americano Karl Deisseroth transformou essa proteína em uma técnica que utiliza a luz para controlar células neuronais. As descobertas contribuíram para o desenvolvimento da optogenética.
Essa abordagem permite aos pesquisadores compreender melhor como determinados tipos de células contribuem para comportamentos como aprendizagem, medo, dependência e movimento.
O método também poderá, no futuro, levar ao desenvolvimento de tratamentos para distúrbios neurológicos e sensoriais, como a doença de Parkinson e a epilepsia. Na prática clínica, pesquisadores já utilizam esse método na tentativa de restaurar a visão de pessoas com deficiência visual, por exemplo, explicou o Comitê Nobel em seu comunicado.
O comitê contrariou as previsões, que apontavam outras descobertas como favoritas. Entre elas estavam as pesquisas sobre hormônios liberados pelo intestino após as refeições que sinalizam ao organismo a sensação de saciedade, como o peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1). Sua ação é reproduzida por medicamentos como o Ozempic e outros medicamentos similares.
"É provável que um Prêmio Nobel venha a reconhecer um desses trabalhos", disse neste domingo (4), antes do anúncio, David Pendlebury, executivo da Clarivate, empresa de análise de dados que prevê potenciais laureados do Nobel com base no número de citações de suas pesquisas. "Eu colocaria o GLP-1 no topo da lista, simplesmente por causa de seu enorme impacto clínico em todo o mundo", afirmou.
BREAKING NEWS The 2026 #NobelPrize in Physiology or Medicine has been awarded to Karl Deisseroth, Peter Hegemann and Georg Nagel "for their discoveries concerning light-gated ion channels and optogenetics." https://t.co/pkDDEBWtkz
— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 5, 2026
No ano passado, o Prêmio Nobel de Medicina foi concedido ao trio nipo-americano Mary E. Brunkow , Fred Ramsdell et Shimon Sakaguchi pela descoberta dos "guardiões do sistema imunológico". Eles receberam o prêmio por seus trabalhos que permitiram compreender como o sistema imunológico poupa as células saudáveis, abrindo caminho para possíveis novos tratamentos contra doenças como o câncer.
O prestigioso prêmio já foi concedido a algumas das descobertas científicas mais marcantes do século passado, entre elas os trabalhos de Alexander Fleming sobre a penicilina, premiados em 1945, e os de Karl Landsteiner, laureado em 1930 pela descoberta dos grupos sanguíneos humanos.
Abertura da temporada
O anúncio desta segunda marca o início da temporada de distinções mais acompanhada do mundo, cujo ponto alto será a entrega do Prêmio Nobel da Paz, na sexta-feira (9), em Oslo. A campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em favor de sua candidatura colocou o comitê responsável pelo prêmio sob pressão no ano passado.
A situação tornou-se ainda mais delicada porque a laureada de 2025, a venezuelana Maria Corina Machado, entregou posteriormente sua medalha de ouro ao bilionário republicano, por considerar que ele a merecia após a captura do presidente Nicolás Maduro. "Sempre há muito lobby e até tentativas de pressão", reconheceu Kristian Berg Harpviken, secretário do Comitê Nobel. "Mas estamos muito acostumados com isso", acrescentou.
Entre os possíveis candidatos está uma premiação conjunta para a organização Save the Children e Mykola Kouleba, defensor ucraniano dos direitos das crianças que atua pelo retorno à Ucrânia de menores levados ilegalmente para a Rússia a partir de territórios ocupados.
A organização Emergency Response Rooms (ERR), do Sudão, uma rede de voluntários que ajuda populações ameaçadas simultaneamente pela guerra e pela fome, e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também estão na disputa. Para o CPJ, a indicação ocorre após 2025 ter sido o ano mais letal já registrado para a profissão.
O Prêmio Nobel de Economia encerrará a temporada dos Nobel em 12 de outubro.
Com agências
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