Stonehenge não foi usado como calendário, diz estudo sobre monumento
Monumento possui um alinhamento astronômico com o Sol que, devido à planicidade do horizonte, remete tanto ao nascer quanto ao crepúsculo
Dois pesquisadores rejeitam a teoria de que o monumento Stonehenge, no Reino Unido, representa um calendário alexandrino, introduzido no final do século I a.C. como uma combinação do calendário juliano e do calendário civil egípcio. O novo artigo foi publicado na revista Archaeology Journal Antiquity.
A concepção discutida no novo artigo havia sido trazida por uma outra pesquisa em 2022.
Juan Antonio Belmonte, do Instituto de Astrofísica de Canárias, e Giulio Magli, do Politécnico de Milão, mostram que a antiga teoria se baseia em uma série de interpretações forçadas das conexões astronômicas do monumento. A ideia anterior teria usado uma numerologia "discutível" e analogias "sem respaldo". Com isso, o novo estudo afirma que a obra é equivalente a uma construção moderna.
Pesquisas anteriores afirmaram que o suposto calendário de pedra foi baseado em 365 dias por ano divididos em 12 meses de 30 dias mais cinco dias adicionais, com a adição de um ano bissexto a cada quatro.
Construção moderna
Os estudos anteriores argumentam que o Stonehenge se baseia, em primeiro lugar, na astronomia. Embora o alinhamento do solstício seja bastante preciso no monumento, Magli e Belmonte mostram que o movimento lento do Sol no horizonte, nos dias próximos aos solstícios, impossibilita o controle do correto funcionamento do suposto calendário.
Eles argumentam que a escultura deveria ser capaz de distinguir posições com precisão de alguns minutos de arco, ou seja, menos de um décimo de um grau.
Quanto à numerologia, eles dissem que atribuir significados aos “números” de um monumento é sempre um procedimento arriscado.
Isso porque um “número-chave” do suposto calendário, 12, não é reconhecível em nenhum lugar, bem como nenhum meio de levar em conta o dia adicional a cada quatro anos. Já outros “números” no monumento são simplesmente ignorados, como o portal de Stonehenge ser feito de duas pedras.
No estudo, os cientistas afirmam que o alegado calendário “neolítico” de precisão solar de Stonehenge é mostrado como uma construção "puramente moderna cujas bases arqueoastronómicas e calendáricas são falhas."