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Rússia nega peste pulmonar após morte de técnica de laboratório na Sibéria; OMS considera risco baixo

As autoridades russas negaram nesta terça-feira (6) a existência de casos de peste em Irkutsk, na Sibéria, após a morte de uma técnica de laboratório de um instituto especializado no combate à doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que recebeu das autoridades russas a confirmação de que não há casos registrados de peste na cidade e que as pessoas que tiveram contato com a funcionária apresentaram resultados negativos para agentes infecciosos perigosos. A causa da morte, no entanto, ainda não foi definitivamente esclarecida.

6 out 2026 - 11h48
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Resumo
A morte de uma técnica de laboratório na Sibéria gerou suspeitas de peste pulmonar, mas a Rússia nega a infecção e atribui o óbito a uma pneumonia indeterminada. Embora dezenas de contatos tenham sido isolados por precaução, exames descartaram agentes perigosos entre eles. A OMS avalia o risco de disseminação como baixo a moderado. O caso também provocou atritos diplomáticos com os EUA, que ofereceram ajuda, respondida com ironia por Moscou, que garantiu ter a situação sob controle sanitário.

Daria Chipilova, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na região da Sibéria. Sua morte, ocorrida na semana passada, provocou preocupação na Rússia e no exterior, depois que veículos de imprensa locais relataram que ela poderia ter contraído peste pulmonar no laboratório.

Vista do Centro de Assistência Médica e Resgate, hospital especializado em doenças infecciosas, na cidade de Shelekhov, na região de Irkutsk, na Rússia, em 5 de outubro de 2026.
Vista do Centro de Assistência Médica e Resgate, hospital especializado em doenças infecciosas, na cidade de Shelekhov, na região de Irkutsk, na Rússia, em 5 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Stringer / RFI

Segundo a agência sanitária russa Rospotrebnadzor, porém, não há evidências de que a mulher tenha sido infectada por algum dos agentes patogênicos com os quais trabalhava. O órgão também negou informações que circulavam nas redes sociais sobre a adoção de um regime sanitário especial e de restrições rigorosas na região.

A OMS classificou como baixo o risco para a população russa e como muito baixo o risco para a região europeia. Para Irkutsk, a avaliação inicial da organização é de risco entre moderado e baixo. A OMS informou ainda que seus especialistas não foram enviados à Rússia, mas que equipes técnicas em Genebra e Copenhague acompanham a situação.

Uma morte cercada de dúvidas

Daria Chipilova foi hospitalizada no fim de setembro e morreu em 2 de outubro, em um hospital de Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk. Segundo relatos publicados por veículos russos, ela poderia ter sido contaminada depois que um tubo de ensaio contendo um agente associado à peste pulmonar teria se quebrado no laboratório. Essa hipótese, porém, não foi confirmada oficialmente.

O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que uma comissão especial de especialistas concluiu que a morte foi provocada por uma pneumonia de origem indeterminada.

Segundo ele, exames realizados durante a autópsia não identificaram nenhum microrganismo relacionado à atividade profissional da técnica. Nenhum outro funcionário do instituto procurou atendimento médico em razão de sintomas semelhantes.

A Rospotrebnadzor afirmou também que, entre as pessoas que tiveram contato com Daria, foram identificados casos de Covid-19 e de rinovírus, mas nenhum outro agente infeccioso perigoso.

Nesta terça-feira, a Rússia informou formalmente à OMS que não havia casos de peste registrados em Irkutsk. Segundo a organização, todos os contatos identificados apresentaram resultados negativos para agentes infecciosos perigosos. A OMS, no entanto, não esclareceu se a própria técnica havia sido testada especificamente para peste, nem se essa hipótese podia ser definitivamente descartada como causa de sua morte.

Quarentenas e isolamento

Apesar das negativas oficiais, medidas de precaução foram adotadas nos dias seguintes à morte. Mais de 60 funcionários do Instituto Antipeste chegaram a ser isolados nas dependências da instituição, enquanto várias unidades hospitalares da região também foram submetidas a medidas de quarentena. Cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a técnica chegaram a ser colocadas sob observação médica, segundo relatos da imprensa.

Autoridades locais indicaram que cerca de 60% das pessoas colocadas em quarentena já haviam sido liberadas nesta terça-feira. A vigilância sanitária russa afirmou que não foram detectados casos de peste entre os contatos da funcionária.

A existência dessas medidas alimentou as dúvidas sobre as circunstâncias da morte, apesar das afirmações oficiais de que a situação está sob controle.

O Kremlin pediu à população que se atenha às informações divulgadas pelas autoridades sanitárias e não a rumores ou especulações divulgados nas redes sociais.

O que é a peste pulmonar?

A peste é uma doença infecciosa provocada pela bactéria Yersinia pestis. A forma pulmonar é uma das manifestações mais graves da doença e pode ser transmitida entre pessoas por meio de gotículas respiratórias.

Sem tratamento rápido com antibióticos, a peste pulmonar pode ser fatal. Ao mesmo tempo, especialistas ressaltam que a doença é rara e que, diante das informações disponíveis, o risco de uma disseminação ampla permanece baixo.

A peste, contudo, não foi erradicada. Ela continua presente em determinadas regiões da África, da Ásia e das Américas, e a Sibéria possui focos naturais da doença.

A Rússia registra ocasionalmente casos isolados, geralmente associados ao contato com animais ou roedores. As autoridades mantêm institutos especializados justamente para monitorar a circulação da bactéria e estudar formas de prevenção e tratamento.

Washington oferece ajuda; Moscou responde

O caso também provocou uma reação diplomática entre Rússia e Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, pediu mais informações e transparência sobre a morte da técnica. O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estavam dispostos a ajudar a Rússia diante do risco de um eventual surto.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou a oferta americana como positiva.

Em resposta, a própria Rospotrebnadzor ofereceu ajuda aos Estados Unidos para combater doenças infecciosas. O órgão russo propôs o envio de especialistas, equipamentos de laboratório e apoio em diagnóstico e prevenção.

Moscou citou, entre outros problemas, os recentes casos de sarampo nos Estados Unidos e a morte de uma pessoa por peste no estado do Novo México em junho.

Conferência sobre peste em Irkutsk

A questão da vigilância epidemiológica também estará no centro de uma conferência internacional prevista para os dias 21 e 22 de outubro em Irkutsk. O encontro reunirá especialistas em peste e outras doenças infecciosas de países da antiga União Soviética. Entre os temas previstos estão a vigilância epidemiológica, a cooperação internacional e a proteção da saúde pública.

Por enquanto, a principal conclusão das autoridades russas e da OMS é que não há evidências de uma epidemia de peste em Irkutsk. Mas a causa da morte de Daria Chipilova continua sendo tratada oficialmente como uma pneumonia de origem indeterminada, e ainda não foi esclarecido de forma independente se a hipótese de peste pulmonar foi definitivamente descartada.

com agências

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