Por que muitas nações do Pacífico agora têm populações em queda?
Milhares de pessoas saem de ilhas menores da região e população sofre risco de desaparecer em alguns anos; mudança climática contribui
Pequenas ilhas do Pacífico estão ficando cada vez mais vazias de pessoas. O motivo anterior era a tendência de migração da região, que existe há anos. A novidade é a possibilidade de essas pequenas nações deixarem de existir, principalmente diante de tantas mudanças climáticas.
Em 1989, o geógrafo australiano Gerard Ward observou o êxodo nas ilhas. Na época, as pessoas já saíam para buscar oportunidades em outros locais, criando um risco gradual de tornar aa região um “espaço vazio na Terra”. Mais de 30 anos depois, os temores se confirmam.
Só nos últimos seis meses, as populações diminuíram em dois territórios que pertencem aos Estados Unidos: Samoa Americana e Ilhas Marshall. Na Nova Caledônia, os números também foram reduzidos. O cúmulo é a ilha de Pitcairn, com uma população de menos de 50 habitantes e registra mais de uma década desde o nascimento da última criança.
No caso da Samoa Americana, em 2010, eram 56 mil pessoas; em 2020, eram 50 mil, de acordo com dados do censo dos Estados Unidos. Uma explicação possível seria de que os jovens de lá se mudam e têm filhos na América do Norte. Só 6% das pessoas que moram no pequeno país não nasceram lá. Isso indica que poucas famílias retornam após deixar o local.
Já nas Ilhas Marshall, a queda foi ainda maior: a população caiu em 20% de 2011 para 2021, restando no local cerca de 42 mil pessoas. A maioria dos migrantes vão para regiões americanas do Havaí ao Arkansas.
Na Nova Caledônia, a população já é de menos de 270 mil pessoas. Se as taxas de natalidade caíram, por outro lado, as de mortalidade aumentaram com a pandemia de covid-19. Os que saem de lá tendem a ir para a França.
Mas por que as pessoas vão embora dessas regiões?
Segundo o censo de 2021 das Ilhas Marshall, quase metade das famílias da ilha estavam preocupadas em não ter o que comer. Ou seja, a mudança estava sendo impulsionada para tentar fugir da pobreza.
Além disso, as mudanças climáticas ameaçam a subida excessiva do nível do mar e o desaparecimento de várias ilhas do Pacífico.
Em alguns estados, a maioria das pessoas já foi embora para a Nova Zelândia. Em Niue, desde 2017 há apenas 1.600 nativos, enquanto 90% da sua população vive hoje no país vizinho, onde têm cidadania. Tokelau também tem apenas 1.500 remanescentes, enquanto 7.000 nativos viraram neozelandeses. Nas Ilhas Cook, mesmo cenário: menos de 15 mil pessoas no local, mas 60 mil residem na Nova Zelândia.