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O desaparecimento do "sono bifásico": como a Revolução Industrial eliminou o costume de dormir em duas etapas

O sono bifásico divide o descanso em dois blocos separados por um intervalo acordado e era a regra antes da luz elétrica mudar nossa rotina

24 out 2026 - 17h35
(atualizado em 25/10/2026 às 12h05)
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Resumo
Acordar de madrugada pode ser apenas um reflexo do sono bifásico, padrão biológico comum antes da Revolução Industrial, e não necessariamente insônia. Estudos do historiador Roger Ekirch e do psiquiatra Thomas Wehr revelam que nossos ancestrais dividiam o descanso em duas etapas: dormiam no início da noite, despertavam para realizar atividades diversas, como orações e conversas, e voltavam a dormir até o amanhecer, costume que se perdeu com a modernidade e a luz artificial.
Ilustracao De Pesssoas Dormindo Na Cama
Ilustracao De Pesssoas Dormindo Na Cama
Foto: Jp Valery, John Atkinson Grimshaw (domínio público) / Xataka

Acordar no meio da madrugada é algo comum para muita gente. Hoje, costumamos associar esse despertar noturno a problemas para dormir ou insônia. No entanto, para alguns especialistas, isso pode ser apenas a lembrança de um hábito antigo, enraizado em nossos padrões biológicos há séculos.

O sono bifásico é um padrão de descanso no qual as horas de sono são divididas em dois blocos distintos, separados por um período de vigília. Esse conceito ganhou força após os estudos independentes conduzidos pelo historiador Roger Ekirch e pelo psiquiatra Thomas Wehr.

Ao analisar documentos históricos que abrangem a Idade Média e a Idade Moderna, Ekirch encontrou menções recorrentes ao que chamavam de "primeiro sono". Intrigado, ele reuniu uma série de evidências em textos literários e registros oficiais que confirmavam a existência generalizada do sono bifásico nessas épocas.

Como funcionava a rotina noturna no passado

Conforme explicou o historiador à BBC, esse padrão começava com um primeiro período breve, geralmente entre 21h e 23h. Em seguida, vinha um intervalo acordado no meio da noite, aproveitado para as mais diversas atividades — de conversas e orações a visitas sociais. Após essa pausa, as pessoas voltavam a dormir até o amanhecer.

Já Thomas Wehr chegou a conclusões semelhantes por meio de um experimento científico. O pesquisador reuniu 15 homens em um ambiente controlado e retirou completamente a iluminação artificial, reduzindo a exposição diária à luz de 16 para apenas 10 ...

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