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Novos anticorpos funcionam contra todas as cepas do coronavírus, mostra estudo

Cientistas israelenses encontraram dois anticorpos que combatem todas as cepas do SARS-CoV-2, sendo melhor do que as vacinas atuais contra a covid-19

13 set 2022 - 16h30
(atualizado às 19h36)
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Cientistas descobriram dois novos anticorpos que podem ajudar no combate contra o SARS-CoV-2: em testes, eles mostraram eficácia em neutralizar todas as cepas do novo coronavírus, chegando a até 95%. A novidade pode, segundo os resultados da pesquisa, até mesmo acabar com a necessidade de vacinas de reforço. Ela foi publicada na revista científica Communications Biology.

Até o momento, os anticorpos mais eficazes contra o vírus causador da covid-19 — e que foram usados nas vacinas que o mundo inteiro recebeu — foram os que se ligam ao receptor ACE2, na proteína espícula (spike) do patógeno. Pesquisadores da Universidade de Tel-Aviv, no entanto, encontraram dois anticorpos ainda não utilizados, o TAU-1109 e o TAU-2310, que podem ser ótimos substitutos.

Foto: Reprodução: Freepik / Canaltech

Como os novos anticorpos funcionam?

Os novos combatentes se ligam à espícula em uma região diferente do receptor ACE2 — o que os torna menos eficientes contra a cepa original —, tornando-os muito eficazes em neutralizar as variantes Delta e Ômicron. O TAU-1109 tem uma eficácia de 92% contra a Ômicron e 90% contra a Delta; já o TAU-2310 é 84% eficaz contra a Ômicron e 97% contra a Delta.

Para os testes, os dois anticorpos foram colocados ao combate de vírus cultivados em laboratório na University of California San Diego e de pseudovírus nos laboratórios da Faculdade de Medicina da Universidade Bar-Ilan. Os resultados foram positivos em todos os casos. A grande vantagem dos anticorpos é que, ao atacar áreas diferentes de outros anticorpos, diferentes variantes do SARS-CoV-2 continuam suscetíveis ao ataque do TAU-1109 e do TAU-2310.

O vírus se torna mais infeccioso a cada variante porque, a cada replicação, ele muda a sequência de aminoácidos da parte da proteína espícula que se liga ao receptor ACE2. Além de aumentar a infectividade, isso faz com que o patógeno consiga evitar melhor os anticorpos naturais criados pelas vacinas, que então precisam ser mudadas. Atacar outras partes da proteína acaba com esse problema.

Os anticorpos TAU-1109 e TAU-2310 não se ligam ao receptor ACE2, mas a outra região da proteína espícula que, por alguma razão, não passa por tantas mutações. Isso permite que sua efetividade se mantenha ao longo de inúmeras variantes do vírus — tanto que os resultados surgiram após o teste em todas as cepas conhecidas até o momento. Ainda não há, no entanto, previsão para uma vacina baseada em tais anticorpos, já que mais estudos precisam ser feitos.

Fonte: Communications Biology, EurekAlert!

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