Não são mísseis, nem drones: a tática inesperada da Ucrânia para garantir seu futuro na guerra é pagar para soldados congelarem esperma
Desde 2022, a Ucrânia financia o congelamento de material genético de militares para reduzir o impacto demográfico da guerra
Em meio ao som de drones russos, de bombardeios e à ameaça permanente na linha de frente, a preocupação de muitos soldados ucranianos já não se limita apenas à sobrevivência no campo de batalha. A guerra, que começou em 2022 com a invasão da Rússia, também abriu caminho para uma preocupação séria: o futuro demográfico do país.
Com milhares de jovens mortos em combate e milhões de refugiados fora do país, a Ucrânia passou a tratar a fertilidade de seus militares como uma questão estratégica e passou a financiar programas de criopreservação para militares em serviço. A medida permite que soldados congelem esperma ou óvulos gratuitamente em clínicas especializadas, garantindo a possibilidade de terem filhos no futuro, mesmo em caso de morte ou de perda da capacidade reprodutiva causada por ferimentos ou pelo estresse prolongado da guerra.
Regulamentada pelo Parlamento em 2023, a iniciativa deixou de ser uma solução emergencial e passou a ser parte da resposta institucional à crise populacional intensificada pelo conflito.
Parlamento ucraniano cria lei para garantir que militares possam ter filhos mesmo após a morte ou perda de fertilidade
A decisão de incentivar o congelamento de esperma não surgiu apenas do alto número de mortos em combate. Ela também está ligada ao estresse crônico enfrentado pelos soldados, tanto aqueles que se encontram na linha de frente, como os que estão a quilômetros dali. Isso porque a presença constante de drones, mísseis e bombardeios cria um ambiente...
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