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Agrivoltaica: como painéis solares sobre plantações podem gerar energia e proteger alimentos ao mesmo tempo

A agrivoltaica ganha espaço como uma alternativa promissora para produzir energia elétrica e alimentos no mesmo pedaço de terra.

22 abr 2026 - 20h02
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A agrivoltaica ganha espaço como uma alternativa promissora para produzir energia elétrica e alimentos no mesmo pedaço de terra. Em vez de competir com a agricultura, a instalação de painéis solares sobre as lavouras cria uma parceria direta entre tecnologia e campo. Desse modo, o produtor rural, o sistema elétrico e o ambiente recebem ganhos simultâneos. Esse modelo já passa por testes em diferentes países e, além disso, começa a despertar interesse também no Brasil.

Na prática, técnicos elevam os painéis fotovoltaicos acima das plantações. Assim, pessoas, máquinas e luz suficiente para o desenvolvimento das culturas conseguem passar sob a estrutura. Entre os benefícios mais citados, aparecem a geração de eletricidade limpa, a redução do estresse térmico nas plantas e a diminuição da evaporação da água. Além disso, o sistema oferece proteção extra contra chuvas fortes, granizo e ondas de calor. Dessa forma, a mesma área cumpre uma dupla função: fazenda de alimentos e "fazenda solar".

Agrivoltaica: como painéis solares sobre plantações podem gerar energia e proteger alimentos ao mesmo tempo

A palavra-chave central desse conceito é agrivoltaica, que combina agricultura e energia solar fotovoltaica. Em vez de instalar grandes usinas em áreas vazias ou de pastagem, esse arranjo integra as placas com o cultivo de alimentos, hortaliças e até pastagens. Desde a década de 2010, pesquisas em países como Alemanha, França, Japão e Estados Unidos investigam esse modelo. Em vários casos, a produção agrícola não diminui e, muitas vezes, até aumenta sob as estruturas solares.

Um dos mecanismos que explicam esse resultado envolve a gestão do microclima. Os painéis criam sombra parcial e reduzem a incidência direta do sol em horários mais quentes. Consequentemente, a temperatura do solo cai alguns graus Celsius e a umidade permanece por mais tempo. Pesquisas de universidades europeias registram aumentos de rendimento entre 5% e 20% em culturas como alface, batata, espinafre e algumas variedades de tomate. Esses ganhos variam conforme a região e o desenho específico do projeto.

painéis solares_depositphotos.com / artalis
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Foto: Giro 10

Como a agrivoltaica reduz evaporação e protege as plantas?

Uma das vantagens mais discutidas da agrivoltaica envolve a economia de água. Com parte da radiação solar bloqueada pelos painéis, o solo perde menos umidade por evaporação. Em experimentos realizados em regiões áridas, medições indicam reduções de até 20% a 30% na quantidade de água necessária para manter determinadas culturas. Esse resultado decorre da sombra parcial e da menor velocidade do vento ao nível do solo. Portanto, o efeito interessa especialmente a áreas que enfrentam secas prolongadas ou reservatórios em queda.

Além disso, a estrutura das placas funciona como uma cobertura contra extremos climáticos. Em eventos de granizo, por exemplo, a superfície dos painéis recebe boa parte do impacto e reduz danos diretos nas folhas e frutos localizados abaixo. Em ondas de calor, a sombra evita que as plantas atinjam temperaturas acima do limite tolerável. Assim, o sistema reduz perdas por queimadura ou maturação acelerada. Em alguns arranjos, a própria armação metálica serve como suporte para sistemas simples de irrigação por gotejamento. Em projetos mais avançados, produtores também acoplam sensores climáticos e automatizam a irrigação.

  • Menor evaporação: o solo permanece úmido por mais tempo e reduz a necessidade de irrigação.
  • Proteção física: os painéis amortecem chuvas de granizo e parte do vento forte.
  • Temperatura moderada: o microclima fica mais estável, com menos picos de calor.
  • Uso mais eficiente da luz: algumas espécies se desenvolvem melhor com luminosidade filtrada.

Quais são os resultados práticos da agrivoltaica no mundo?

Experiências de agrivoltaica já aparecem em diferentes continentes. Na França, um projeto piloto em vinhedos combina painéis ajustáveis com uvas de vinho. Esse sistema contribui para manter a qualidade do fruto em verões mais quentes e reduz o estresse hídrico nas plantas. Em alguns anos de seca, viticultores relatam menor perda de produção e maior previsibilidade.

Na Alemanha, estudos com cereais e hortaliças avaliam diferentes níveis de sombreamento. Em certas situações, a produtividade de algumas culturas sofre leve queda. No entanto, o ganho total de energia mais alimentos por hectare supera o de áreas usadas apenas para agricultura ou apenas para geração solar. Assim, o uso combinado do solo mostra maior eficiência geral.

Nos Estados Unidos, iniciativas em estados com clima semiárido, como Arizona e Colorado, testam tomate, pimentão e ervas sob estruturas fotovoltaicas mais altas. Nessas experiências, sensores registram temperaturas do solo mais baixas ao longo do dia e maior umidade relativa do ar sob os painéis. Em parte das culturas, produtores observam ganhos de produtividade e maior conforto térmico para trabalhadores rurais. Em paralelo, pesquisadores avaliam impactos na biodiversidade local e notam maior presença de insetos polinizadores em algumas áreas.

No Japão, onde o espaço disponível para agricultura permanece limitado, sistemas agrivoltaicos aparecem em arrozais e campos de chá. O objetivo principal consiste em conciliar segurança energética e abastecimento alimentar local. Em muitos casos, comunidades rurais organizam cooperativas que dividem os custos das estruturas e da manutenção.

  1. Escolha de culturas que toleram bem sombra parcial, como algumas hortaliças de folha.
  2. Adequação da altura e do espaçamento dos painéis para permitir o trânsito de máquinas agrícolas.
  3. Planejamento da direção das fileiras para equilibrar luz, sombreamento e geração de energia.
  4. Monitoramento constante de solo, água e produtividade para ajustar o sistema ao longo do tempo.

Desafios atuais e perspectivas para a segurança alimentar e energética

Embora os resultados iniciais indiquem grande potencial, a agrivoltaica ainda enfrenta desafios importantes. O custo de implantação das estruturas permanece elevado e exige planejamento financeiro detalhado. Além disso, cada tipo de cultura demanda um projeto específico, o que aumenta a complexidade técnica. As exigências regulatórias também entram na conta e variam de país para país.

Outra dificuldade envolve a capacitação de equipes técnicas no campo. Profissionais precisam aprender a manter os painéis sem atrapalhar as rotinas agrícolas. Ao mesmo tempo, o manejo das plantas deve considerar o novo microclima criado sob as estruturas. Em propriedades menores, produtores frequentemente buscam apoio de cooperativas, universidades e empresas especializadas.

Mesmo com essas barreiras, pesquisadores e instituições ligadas à energia e à agricultura apontam a agrivoltaica como uma estratégia relevante para fortalecer a segurança alimentar e energética. Ao permitir que a mesma área produza eletricidade renovável e alimentos, o modelo reduz a pressão por novas terras agrícolas e evita desmatamentos adicionais. Além disso, o sistema diminui emissões associadas à geração de energia e torna propriedades rurais mais resilientes a secas, ondas de calor e tempestades.

Exemplos bem-sucedidos na Europa, na Ásia e na América do Norte mostram resultados consistentes. Com adaptação às condições locais e escolha correta de culturas, a combinação entre painéis solares e lavouras tende a ganhar espaço nos próximos anos. Assim, a agrivoltaica se integra ao conjunto de soluções que buscam garantir abastecimento de energia e de alimentos em um mundo mais quente e mais populoso.

painéis solares_depositphotos.com / elenathewise
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Foto: Giro 10
Giro 10
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