Marbug: o que é e como se transmite o perigoso vírus que atinge a Guiné Equatorial
Entenda o vírus que fez a OMS exigir decretação de estado de alerta na Guiné Equatorial
A Organização Mundial de Saúde (OMS), após uma reunião de urgência na terça-feira (14), confirmou o surto do vírus Marbug na Guiné Equatorial, impondo a decretação imediata no país de estado de alerta sanitário. Mas afinal, o que é o vírus Marbug e o que ele pode causar nas pessoas?
O vírus Marbug é da mesma família do Ébola, causa febre hemorrágica e é altamente virulento, possuindo uma das taxas de letalidade mais altas do mundo: em média, é de 50%, mas pode chegar a 88%.
O Marbug é transmitido de morcegos para primatas e seres humanos, e entre humanos, é passado por meio de fluidos corporais de pessoas infectadas ou superfícies e materiais. Além da febre hemorrágica, o vírus provoca dor de cabeça, dor abdominal, náuseas, vômitos e problemas respiratórios superiores, como tosse, dor torácica e faringite.
O nome do vírus se dá porque foi encontrado pela primeira vez em uma pequena cidade da Alemanha de mesmo nome, em 1967. Surtos simultâneos aconteceram, na época, em laboratórios de Marbug e Belgrado (hoje Sérvia), e sete pessoas chegaram a óbito enquanto pesquisavam.
Panorama
O Ministério de Saúde da Guiné Equatorial, de acordo com a agência de notícias Lusa, disse ter detectado uma "situação epidemiológica atípica” em distritos de Nsok Nsomo, na província de Kie Ntem, com a morte de nove pessoas que relataram sintomas de febre, vômitos e diarreia com sangue. Em amostras enviadas para análise no Senegal, a presença do vírus foi confirmada.
Até ontem, além das mortes, foram contabilizados 16 casos suspeitos, sendo 14 assintomáticos e dois com sintomas leves. Agora, a OMS está planejando uma resposta de emergência, convocando especialistas, gerenciando os casos e organizando a prevenção de infecções.
"Graças à ação rápida e decisiva das autoridades da Guiné Equatorial na confirmação da doença, a resposta de emergência pode atingir todo o vapor rapidamente para salvarmos vidas e determos o vírus o mais rápido possível", afirmou o diretor regional da agência na África, Matshidiso Moeti.
Essa não foi a primeira vez que o vírus Marbug atingiu a região africana. Em 2004, isso já tinha acontecido, levando à morte de 90% das 252 pessoas infectadas em Angola, e em 2022, duas mortes pelo vírus foram relatadas em Gana. Surtos esporádicos já foram percebidos em Guiné-Conacri, República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul e Uganda.
Não há cura, por enquanto
Até o momento, não existem vacinas ou tratamentos para o vírus Marbug. A forma de tratamento, dessa forma, consiste em aliviar os sintomas, aumentando a chance de sobrevivência, ou seja, com cuidados de suporte – como reidratação com fluidos orais ou intravenosos, e abordagens para sintomas específicos.
Protocolos de outras febres hemorrágicas como o Ébola também devem ser usados para prevenir as transmissões. A área da Guiné Equatorial que enfrenta o vírus é rural, de floresta densa, próxima ao Gabão e Camarões.