Lula visita fábrica da Huawei, pivô da "guerra fria da tecnologia"
Presidente brasileiro se encontra com executivos da empresa em Xangai durante visita oficial à China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou a fábrica da Huawei, gigante de tecnologia chinesa em Xangai, durante sua visita oficial à China. O objetivo do encontro foi discutir uma parceria no desenvolvimento de tecnologias de monitoramentos.
A visita de Lula à fábrica da Huawei e a sua agenda no país são acompanhadas de perto, por conta da guerra fria tecnológica entre China, os EUA e o resto do ocidente. Recentemente, as duas potências trocaram acusações de espionagem.
A visita ocorreu durante a madrugada desta quinta-feira (13) e incluiu uma apresentação sobre o 5G e soluções em telemedicina, educação e conectividade.
Antes de sua visita à Huawei, o presidente brasileiro se encontrou com a nova presidente do Banco dos Brics, a ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, o presidente defendeu fim da dolarização no comércio entre os países-membros.
"Toda noite me pergunto porque todos os países precisam fazer seu comércio lastreado no dólar. Por que não podemos fazer comércio lastreado na nossa moeda? Por que não podemos ter o compromisso de inovar? Quem é que decidiu que era o dólar a moeda depois que o ouro desapareceu como paridade? Por que não foi o yen? Por que não foi o real, o peso? Porque as nossas moedas eram fracas, não tinham valor em outros países", disse.
Em seguida, Lula deve encontrar os CEOs da empreiteira CCCC e da fabricante de carros BYD, além de uma audiência com o secretário-geral do Partido Comunista.
Ainda no dia de hoje, Lula vai para Pequim, onde terá compromissos na sexta-feira com o presidente Xi Jinping.
Relembre o caso Huawei
A Huawei enfrenta desafios após sanções dos EUA, que restringiram o fornecimento de chips e ferramentas de design de empresas americanas, resultando em uma queda nos lucros de 2022.
Tudo começou ainda em 2019, na então presidência de Donald Trump nos EUA. Na época, ele colocou a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações e segunda maior fabricante de smartphones em uma lista negra de exportação, citando questões de segurança nacional. A sanção barrou a venda de fornecedores norte-americanos à chinesa sem aprovação especial do governo.
Com isso, a Google teria suspendido o acesso da Huawei a alguns de seus serviços, como o suporte ao Android.
Pressionado pelos Estados Unidos, o governo do Reino Unido também proibiu em 2020 a Huawei de fornecer equipamentos e tecnologia para a rede 5G no país.
A empresa informou neste ano que está avançando na substituição de componentes afetados pelas sanções americanas e investindo em pesquisa.