Plataforma de lives cresce 500% em receita na pandemia
Empresa ClapMe oferece infraestrutura tecnológica e consultoria para artistas e marcas que desejam fazer transmissões ao vivo na internet
Na pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), não faltam livestreams para entreter quem permanece em isolamento social. Nos bastidores das transmissões, toda uma infraestrutura tecnológica é montada para levar palestras, shows e bate-papos para todos. Com a quarentena, a empresa ClapMe, que oferece esse aparato para as populares “lives”, teve uma alta de seis vezes na demanda por seus serviços.
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Criada em 2013 pelos empreendedores Celso Forster, Diego Yamaguti, Felipe Imperio e Filipe Callil, a ClapMe demorou três anos para alavancar o negócio. A dificuldade inicial, segundo Callil, estava em comprovar a relevância das transmissões ao vivo pela internet a artistas e empresas. “Havia um impasse com o meio artístico”, diz. “Nós tínhamos que provar o valor de fazer uma live e que isso não faria os fãs desistirem de ir a um show.”
Em 2016, no entanto, o negócio foi favorecido com o crescimento e expansão da plataforma de livestream do Facebook, que foi lançada em agosto de 2015. “Com um empurrão do Facebook, começamos a acelerar”, diz. “Os artistas passaram a entender a importância de uma transmissão ao vivo.” Com isso, a ClapMe passou não só a produzir lives de músicos, mas também de palestras e ações publicitárias para marcas.
Com o passar dos anos, a empresa teve de mudar seu modelo de negócio. No início, até o fim de 2015, a ClapMe tinha aspiração de ser a “Netflix dos shows”. O formato com um catálogo de transmissões ao vivo não vingou. Hoje, a companhia possui dois tipos de serviços: o primeiro é o “pacote técnico”, em que são oferecidos os equipamentos e infraestrutura para as lives; o segundo, é a criação de uma plataforma específica para os conteúdos originais de uma banda, artista ou corporação.
A empresa capitaliza por meio de contratos, variando entre entregas pontuais e fixas. A ClapMe já atendeu mais de 400 clientes e, em seu portfólio, estão artistas como Nando Reis, Fernando e Sorocaba e Manu Gavassi, além de empresas como Itaú, Kibon, Porto Seguro e C&A. Segundo Callil, 12 companhias têm um acordo para produção de conteúdo todo mês.
Com o início do isolamento social - recomendação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a disseminação do novo coronavírus -, as livestreams viraram febre, e a ClapMe registrou um aumento de seis vezes em sua demanda. “Começou a chover pedidos para a gente”, conta. “A maioria é pontual, de marcas que querem se adaptar ao online.”
Os novos pedidos variam entre shows de artistas, lives corporativas e a substituição de eventos que seriam presenciais antes da pandemia. Em média, a companhia tem produzido entre 8 e 15 transmissões por dia durante a quarentena, o que fez sua receita crescer em cinco vezes e contratar 20 funcionários.