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Influencers de ciência penam para ensinar a verdade; veja maiores lorotas

Apesar da avalanche de fake news, eles usam as plataformas para difundir informação séria sobre ciência e desmentir fake news negacionistas

19 ago 2023 - 05h00
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Jovens cientistas desmistificam teorias na internet
Jovens cientistas desmistificam teorias na internet
Foto: Acervo Pessoal

Vacina com chip, remédios caseiros, Lua colorida, Airfyer causando câncer... são tempos sombrios para a ciência! Mas, para combater a ala negacionista do público, surgiram nos últimos anos diversos cientistas engajados em difundir informação séria na internet.

Esses influenciadores digitais usam as redes sociais e o YouTube para tratar assuntos complexos de forma dinâmica e descontraída, para que a população entenda e se envolva cada vez mais com diversos tipos de ciência, como astronomia, saúde e biologia. Mas não é tarefa fácil desmentir a avalanche de fake news que explode na web, principalmente desde 2020, durante e depois da pandemia de covid.

“O mais bizarro que venho acompanhando nos últimos anos — bizarro no sentido de falta de compreensão — são as negações no campo das ciências humanas. Muito mais do que as negações clássicas nas ciências duras, como terraplanismo, o movimento antivacina, por exemplo, tem um aspecto muito maior na negação da sociologia do que na da biologia”, diz o professor e youtuber Vinicius Penteado.

Mestre em biologia funcional pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Penteado é codiretor e cofundador do Science Vlogs Brasil, um selo que atesta a qualidade da divulgação de ciências no YouTube. A convite do Byte, ele e outros jovens criadores de conteúdo científico contam um pouco sobre a luta deles para desmistificarar boatos. 

Vacina tem chip 5G e Coca-Cola? Não!

A biomédica Mell Dutra começou a falar mais sobre ciência nas redes sociais durante a pandemia
A biomédica Mell Dutra começou a falar mais sobre ciência nas redes sociais durante a pandemia
Foto: Acervo pessoal

Afinal, há chip 5G ou Coca-Cola nas vacinas de covid?

“Recebi muitas perguntas motivadas, infelizmente, por conteúdos desinformativos, como se as vacinas te deixavam magnetizado, entre outros tópicos relacionados a esse assunto”, disse a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, mestra e doutora em neurociências e pós-doutora em bioquímica pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Desde a pandemia, Fontes-Dutra compartilha conteúdos relacionados a agentes infecciosos, vacinação, neurociências, comportamento e assuntos de ciência no geral. 

Esclarecendo:

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) emitiu uma nota afirmando que “esta teoria conspiratória surgiu a partir da deturpação da fala do empresário Bill Gates sobre uma tecnologia futura que permitiria auxiliar na identificação de quem já teve covid-19 ou foi vacinado”. 

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“Isso, no entanto, não tem nenhuma relação com a vacina ou com o 5G, que nada mais é do que a evolução do 4G que usamos hoje. Mesmo que quisessem, seria impossível usá-lo para controlar pessoas”, concluiu a nota da entidade.

A SBIm ressalta que os ingredientes de todas as vacinas de covid-19 estão publicamente disponíveis em base de dados online e reunidos no site da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Sobre o uso de Coca-Cola em vacinas, Fontes-Dutra explica que “não há viabilidade biológica em considerar a inserção da vacina em refrigerantes, tampouco haveria algum componente nisso que controlaria seu DNA”. 

Airfyrer causa câncer? Não!

Laura e Ana divulgam ciência de forma descontraída pelo projeto "Nunca Vi 1 Cientista"
Laura e Ana divulgam ciência de forma descontraída pelo projeto "Nunca Vi 1 Cientista"
Foto: Acervo pessoal

Dentre as perguntas mais diferentes que receberam, as responsáveis pelo canal do YouTube Nunca vi 1 Cientista dizem que as que chamaram mais atenção é de que a airfryer causa câncer.

O canal é comandado por Ana Bonassa, graduada em ciências biológicas, mestra e doutora em ciências com pós-doutorado em metabolismo energético; e Laura Marise, farmacêutica-bioquímica, mestra e doutora em biociências e biotecnologia com pós-doutorado em bioquímica. Ambas divulgam ciência com credibilidade e bom humor, conforme descrevem em seu Instagram. 

Esclarecendo:

As cientistas explicam que qualquer método de cozimento que use temperaturas maiores que 100 °C vai gerar acrilamida nos alimentos que são propensos a formar essa molécula (ricos em açúcares e no aminoácido asparagina). Confira no vídeo abaixo:

Tomar chuva diminui a imunidade? Não!

“Você já ouviu falar que tomar chuva, pegar sereno, pés descalços dão gripe? Será que faz sentido essa história?” Em um vídeo, as cientistas também explicaram esse mito aos seguidores. Veja:

Água hidrogenada cura doenças? Não!  

Quem tem alguém da área da saúde na família sabe como é, sempre tem o parente que faz perguntas sobre os tratamentos caseiros para gripe, dor de cabeça, enjoo etc.

André Bacchi, mestre e doutor na área de Ciências Fisiológicas com ênfase em Farmacologia, atua como criador de conteúdo desde 2018 pelo perfil do Instagram, Twitter e canal do YouTube. Em geral, ele diz que recebe muitas perguntas sobre tratamentos "caseiros", com receitas mirabolantes para tratar todo tipo de condição.

“No geral, são válidas e faço o possível para ajudar a esclarecer. Ter uma dúvida honesta nunca é algo bizarro. É a curiosidade e o desejo de se informar e isso é legítimo”, diz ele.  

O farmacêutico André Bacchi
O farmacêutico André Bacchi
Foto: Acervo pessoal

Esclarecendo:

Bacchi explica que quando faz críticas a tratamentos pseudocientíficos, é acusado de "vendido para a indústria farmacêutica".

“São pessoas que não acompanham meu perfil e não sabem, por exemplo, que luto contra o uso e prescrição irracional, bem como contra a hipermedicalização. Pelo fato de eu atuar na área de saúde mental, também já tive que ler comentários do tipo: 'depressão é falta de Deus'”, comenta. 

Ele também cita as perguntas que recebe sobre água hidrogenada com "moléculas extras de hidrogênio" que afirmam que trata várias condições de saúde. Tudo mentira, claro.

“É uma forma bastante inteligente de ganhar muito dinheiro vendendo água, ou equipamentos que armazenam água, e que não tem comprovação nenhuma de benefício. E sequer é plausível do ponto de vista fisiológico”, esclarece. 

Engov previne ressaca? Não! 

“Nunca ficaram tão bravos comigo como quando eu expliquei que Engov não prevenia ou efetivamente tratava ressaca e que, pela bula, não é sequer aconselhável consumir junto com álcool”, disse Bacchi.

Em uma postagem, o especialista explicou que nenhuma das substâncias contidas no Engov são capazes de prevenir a ressaca.

Segundo ele, é apenas uma combinação genérica e relativamente plausível que tenta aliviar alguns dos sintomas comuns da ressaca, como dor de cabeça, queimação e enjoo. O farmacêutico diz que o melhor método para prevenir a ressaca é beber com responsabilidade e se hidratar. 

“Se o estrago já foi feito, continue se hidratando bastante, repouse, durma e se alimente bem. Se precisar controlar algum sintoma mais incômodo, faça isso de maneira específica. Um analgésico se sentir dor, um anti emético se tiver náusea e de preferência orientado por um profissional de saúde”, afirma. 

Existe Lua cor de rosa? Não! 

A engenheira Lorrane Olivlet
A engenheira Lorrane Olivlet
Foto: Acervo pessoal

“Um dos meus primeiros vídeos que viralizou foi o da Lua Rosa. Basicamente muitos sites noticiaram esse fenômeno dando a entender que a Lua iria de fato ficar rosa. E quando eu esclareci foi uma grande decepção para o pessoal”, diz a engenheira Lorrane Olivlet, conhecida na internet como Lolivlet.

Ela é divulgadora científica na área espacial há cerca de dez anos. Hoje, é a mulher brasileira que fala sobre o espaço com o maior número de seguidores no país. Lolivlet também faz conteúdo para a rede social da Agência Espacial Brasileira.

Seu trabalho de incentivar jovens em ciências espaciais lhe rendeu uma homenagem do desenhista Mauricio de Sousa, que a incluiu na exposição “Donas da Rua”, que exalta as principais cientistas da história. 

A jovem afirma que seu conteúdo é feito também para os negacionistas para que eles possam refletir, e diz que sempre responde os comentários nos vídeos.

Esclarecendo

“Não, a Lua não vai de fato ficar rosa, é só um termo”, brincou Lorrane. Em um vídeo com milhares de visualizações ela detalha o fenômeno. Entenda:

Fonte: Redação Byte
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