Há 230 anos, Kant já criticava a turistificação na Europa: "Consideravam aquelas terras como se não tivessem dono"
Seus argumentos foram escritos muito antes do turismo de massa, mas se encaixam perfeitamente no tema
Relato de Javier Jiménez, do Xataka Espanha
Basta dar um passeio por Málaga, na Espanha, para se deparar com dezenas de plaquinhas azuis com duas letras: "AT". Ou seja, "apartamentos turísticos". Isso já acontece há muito tempo, mas, nos últimos anos, a pressão turística tem se tornado cada vez mais intensa.
Talvez por isso, em quase toda placa de AT, seja possível ver adesivos com frases como "AnTes esta era minha casa", "Prefeito Turismorto", "Vai pra tua casa, p***a", "EmpesTando de turista". Essas manifestações oferecem um retrato de como o mesmo problema é abordado de formas completamente diferentes, dependendo da época.
Qualquer pessoa que conheça um pouco de Kant sabe que ele não era exatamente um revolucionário. O filósofo alemão mal saiu de sua cidade às margens do Báltico e, de fato, era famoso por seguir uma rotina tão exata que os vizinhos podiam acertar a hora do relógio com base em seus passeios.
É claro que ele não tinha sangue nas veias para expulsar ninguém de Königsberg. No entanto, em Sobre a Paz Perpétua (1795), desenvolveu uma ideia que, trazida para os dias de hoje, pode nos ajudar a entender os limites do turismo: a da hospitalidade.
Hospitalidade? Historicamente, esse conceito serviu aos teóricos da Escola de Salamanca para justificar a conquista da América e a Kant para expulsar pessoas de sua cidade. O diabo, como sempre, está nos detalhes.
Afinal, qualquer conceito de hospitalidade filosoficamente desenvolvido se concentra nos limites: parte ...
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