Fósseis de pinguins de 55 milhões de anos revelam como Antártica congelou, aponta estudo
Análise química detalha a transição de um ambiente quente e úmido para o clima gelado do continente.
Fósseis de pinguins da Ilha Seymour, com 55 milhões de anos, ajudaram cientistas a entender a transição da Antártica de um clima quente para o atual clima gelado, por meio de análises químicas detalhadas publicadas em 2026.
Cientistas da Universidade Chinesa de Geociências revelaram uma nova maneira de decifrar o passado climático da Antártica: usando ossos de pinguins fossilizados. Ao examinar a composição química desses restos antigos da Ilha Seymour, na Península Antártica, os pesquisadores conseguiram traçar a transformação do continente de um ambiente quente e úmido para as condições geladas que conhecemos hoje. A pesquisa foi publicada no periódico Fossil Record em julho.
Como os cientistas analisaram os fósseis sem danificá-los?
A equipe de paleontólogos usou a varredura por fluorescência de micro-raios-X para mapear a composição elementar da superfície dos ossos. Sem danificar o material, o método permitiu posicionar as peças de forma mais horizontal e contornar as dificuldades causadas pelas superfícies curvas e irregulares dos fósseis.
Os pinguins adaptaram suas asas para nadar após perderem a capacidade de voar. A Ilha Seymour preserva um dos registros mais contínuos e ricos do mundo de fósseis dessas aves durante a época do Eoceno.
O que a composição química dos ossos revelou sobre o clima antigo?
Os exames apontaram que fósseis com cerca de 55 milhões de anos continham concentrações mais elevadas de titânio, silício e potássio. Essa química está relacionada à forte erosão terrestre e ao escoamento de água sob o clima quente e úmido do período. Os ossos de épocas posteriores (mais frias) apresentaram índices bem mais baixos desses elementos.
Além dos minerais terrestres, a técnica de mapeamento detectou presença de ferro, manganês e enxofre. Essas substâncias registraram as mudanças químicas que ocorreram no sedimento marinho durante o processo de sepultamento dos esqueletos, ao longo de milhões de anos.
Por que os fósseis de pinguins são importantes para o estudo do clima?
A geoquímica óssea fornece uma fonte de dados complementar e valiosa em relação às técnicas tradicionais, como perfuração de sedimentos marinhos e análise de microfósseis. O mapeamento preservado nos ossos registra o transporte de materiais externos, os ambientes de deposição e o contexto climático histórico da região.
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