O navio cheio de materiais tóxicos que a França vendeu para o Brasil e que nossa Marinha resolveu afundar porque não sabia mais o que fazer com ele
Comprado por cerca de US$ 12 milhões, navio passou quase toda sua fase brasileira em reparos e, no final, não conseguiu nem ser vendido como sucata
A história começa no ano 2000, quando a França vendeu ao Brasil um dos grandes símbolos de seu poder naval. Mais de duas décadas depois, aquele porta-aviões terminou a 5.000 metros de profundidade no Atlântico, depois que a Turquia se recusou a desmontá-lo e o Brasil decidiu afundá-lo deliberadamente. No caminho, um "presente" em seu interior que, mesmo debaixo d'água, continuava dentro do navio e cuja quantidade exata ainda é motivo de disputa.
O fato é que o Foch não era um navio qualquer. Entrou em serviço em 1963 e, junto com o Clemenceau, foi durante quase quatro décadas um dos grandes expoentes do poder naval francês: nada menos que 265 metros contando o convés de voo, capacidade para cerca de 2.000 tripulantes e aproximadamente 40 aeronaves, além de um histórico que o levou dos testes nucleares franceses no Pacífico ao Líbano e aos Bálcãs.
Quando o Charles de Gaulle assumiu seu lugar, a França encontrou uma segunda vida para o veterano navio: o Brasil o comprou no ano 2000 por cerca de US$ 12 milhões e o rebatizou como São Paulo.
O problema: a França não vendeu apenas 30.000 toneladas de navio. Hoje sabemos que, antes de entregá-lo, a França havia realizado trabalhos de remoção de amianto e descontaminação, mas o processo havia ficado incompleto. Dessa forma, dentro daquela gigantesca estrutura permaneciam materiais perigosos empregados durante décadas na construção naval: amianto, tintas com metais pesados, PCB e outros compostos tóxicos.
Durante anos, aquilo foi um ...
Matérias relacionadas
Arábia Saudita quer transformar terreno baldio de Paris em parque temático de Dragon Ball
Por que especialistas recomendam colocar fita adesiva nas rodas das malas de viagem?
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.