Escassez de vacinas contra cólera muda estratégia da OMS
Organização Mundial da Saúde fala em “terrível escassez de vacinas" de cólera à medida que casos aumentam no mundo
Um surto de cólera, que já atingiu pelo menos 29 países, fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alterasse o esquema de vacinação contra a doença por causa da escassez de imunizantes. Em vez de duas doses da vacina, agora aplica-se apenas uma.
“A suspensão temporária da estratégia de duas doses permitirá que as doses restantes sejam redirecionadas para quaisquer necessidades do resto do ano”, escreveram.
A cólera é uma doença causada pela bactéria Vibrio cholerae, que gera uma infecção intestinal. O meio de transmissão pode ocorrer por ingestão de alimentos ou água contaminados, ocasionando diarreia e vômito. Uma forma de prevenção da doença é o abastecimento de água potável e a garantia do acesso ao saneamento básico. A doença afeta de 1,3 milhões a 4 milhões de pessoas todos os anos e as estimativas da OMS são de 21 mil a 143 mil mortes anualmente.
Até o começo de outubro, autoridades nacionais do Haiti haviam confirmado 32 casos e 18 mortes, assim como mais de 260 casos de cólera suspeitos em torno da capital, Porto Príncipe. Países como Malawi e Síria enfrentam cenários mais alarmantes.
De acordo com a OMS, é uma situação fora do comum, pois “nos últimos cinco anos, menos de 20 países em média notificaram surtos".
Surto agravado por falta de vacina e falta de saneamento
Segundo a organização, a tendência global está se encaminhando para surtos mais numerosos, mais difundidos e mais graves. Os motivos são as consequências de inundações, secas, movimentos populacionais e outros fatores que limitam o acesso à água potável e aumentam o risco de surtos da doença.
A OMS também destaca que a oferta atual de vacinas contra a cólera é extremamente limitada. O uso é orientado pelo Grupo de Coordenação Internacional (ICG), responsável pela distribuição emergencial de doses contra a doença.
O ICG já distribuiu, das 36 milhões de doses previstas para serem produzidas em 2022, 24 milhões para campanhas preventivas (17%) e reativas (83%). Mais oito milhões de doses foram aprovadas pelo ICG para a segunda rodada de vacinação de emergência em quatro países, ilustrando o que eles chamam de “terrível escassez de imunizantes”.
Também não há expectativa para que os fabricantes produzam mais doses, já que segundo a OMS, estão “produzindo em sua capacidade máxima atual”. A organização afirma que a suspensão temporária da estratégia de duas doses permitirá que as restantes sejam redirecionadas para quaisquer necessidades do resto do ano.
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.