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Em 1972, a Itália tentou encaixar uma cidade inteira em um prédio de um quilômetro de altura: meio século depois, ainda paga o preço

A história de uma época que acreditava que os problemas sociais poderiam ser resolvidos com soluções físicas massivas

2 jun 2026 - 15h09
(atualizado em 3/6/2026 às 12h15)
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Imagem | Wikimedia, Umberto Rotundo, Alessandro Pace
Imagem | Wikimedia, Umberto Rotundo, Alessandro Pace
Foto: Imagem | Wikimedia, Umberto Rotundo, Alessandro Pace / Xataka

No mesmo ano em que a construção do complexo Corviale começou, as autoridades americanas iniciaram a demolição de Pruitt-Igoe, um gigantesco conjunto habitacional público que havia sido apresentado apenas duas décadas antes como o futuro da cidade moderna. A coincidência era quase simbólica: enquanto um país demolia uma de suas grandes utopias urbanas, outro começava a construir uma nova.

Cidade dentro de um edifício

Durante a década de 1970, a Itália acreditava que poderia resolver diversos problemas urbanos de uma só vez. Roma crescia rapidamente, seus bairros periféricos se multiplicavam e a demanda por moradias populares aumentava cada vez mais. A resposta foi o Corviale, uma gigantesca estrutura residencial com quase um quilômetro de extensão, projetada para abrigar cerca de 8,5 mil pessoas.

Seu arquiteto, Mario Fiorentino, não idealizou simplesmente um bloco de apartamentos, mas uma verdadeira cidade linear onde as ruas seriam corredores, as praças emergiriam das áreas comuns e os serviços cotidianos coexistiriam com as residências. Essa visão visava demonstrar que a arquitetura poderia reorganizar a vida urbana desde seus alicerces.

Utopia que nunca foi concluída

O problema surgiu antes mesmo da conclusão do projeto. A empresa responsável pela construção faliu em 1982, e muitos dos elementos essenciais do projeto original jamais foram concretizados. O famoso andar intermediário, destinado a lojas, escritórios, serviços e espaços comunitários, permaneceu vazio e acabou sendo...

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