DNA de sementes antigas revela origem e características de melões na China medieval
Pesquisadores identificam linhagem asiática em amostras preservadas em sítio portuário histórico
Pesquisa de DNA em sementes antigas revelou que melões consumidos na China medieval, durante a dinastia Song, eram vegetais com casca amarela e polpa verde-clara, pertencentes à linhagem leste-asiática agrestis, oriundos do Sul da Ásia.
Uma análise de DNA antigo extraído de sementes de melão encontradas em um sítio arqueológico chinês revelou segredos sobre a origem dessa fruta. O estudo mostra que os melões consumidos durante a dinastia Song, entre os séculos X e XIII, não eram as variedades doces de sobremesa que conhecemos hoje. Eles provavelmente eram cultivados como vegetais ou por suas sementes, marcando uma tradição culinária distinta no Leste Asiático.
A pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences foi conduzida por cientistas da Universidade de Washington em St. Louis. O material genético foi obtido a partir de amostras encharcadas recuperadas nas escavações de 2024 no porto medieval de Shuomen Gugang, situado na atual cidade de Wenzhou.
O sequenciamento identificou que os frutos pertenciam à linhagem leste-asiática agrestis, cuja origem provável remonta ao Sul da Ásia. As características genéticas mapeadas indicam que os melões medievais possuíam casca amarela e polpa verde-clara.
Como ocorreu a rota de dispersão da fruta?
O avanço das plantas em direção ao território chinês ocorreu predominantemente por um corredor ao sul. Essa trajetória conhecida como Rota do Chá e do Cavalo se estendia ao longo das encostas meridionais do Himalaia e atravessava os vales do sudoeste.
Registros botânicos recuperados de túmulos reais das dinastias Han e pré-Han confirmam essa passagem meridional ao precederem os vestígios da rota setentrional em um intervalo de 800 a 1.000 anos.
Qual era a relação entre a fruta e a cultura local?
A tonalidade clara da polpa coincidia com os padrões estéticos valorizados no período imperial. O aspecto visual dialogava diretamente com os tons de jade e com as peças de cerâmica celadon verde produzidas em formato de melão e distribuídas por centros comerciais da China, Coreia e Japão como símbolos de fertilidade e prosperidade.
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