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Corrida do ouro na floresta amazônica revela algo muito incômodo para o Peru: país perdeu o controle de seu território

Fantasma de Minamata assombra comunidades indígenas enquanto retroescavadeiras cercam estações científicas históricas Mercado global demanda ouro, mas Estado garante impunidade: é assim que as redes que envenenam os cursos d'água operam sem medo da justiça criminal

11 mai 2026 - 10h12
(atualizado em 12/5/2026 às 08h51)
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Imagem | Marco Milon
Imagem | Marco Milon
Foto: Imagem | Marco Milon / Xataka

Quando o procurador ambiental Carlos Chirre e sua equipe chegaram ao porto após destruírem 15 dragas ilegais no Rio Colorado (Madre de Dios), não encontraram justiça, mas uma multidão enfurecida. Cerca de 80 pessoas armadas com paus os cercaram, queimaram seus barcos e os ameaçaram de morte. "É assim que o povo governa!", gritou uma das mulheres que lideravam o motim.

Essa cena, documentada em extensa reportagem da Mongabay Latam, ilustra uma dura realidade: o Peru perdeu o controle de seu território. A corrida do ouro continua desenfreada. Como alerta a AP News, a mineração ilegal está se espalhando para novas áreas da selva peruana, como a província de Tambopata e recantos intocados de Madre de Dios, deixando florestas devastadas e rios transformados em deslizamentos de lama tóxica.

Ninguém está a salvo

A histórica estação científica de Panguana — que opera em Huánuco há mais de 60 anos — foi cercada por retroescavadeiras que trabalham dia e noite. Ameaças de morte contra a equipe científica forçaram a evacuação da área. O pesquisador Eric Cosio alerta para a magnitude desse inimigo: a sofisticação logística desses garimpeiros supera em muito a dos narcotraficantes. Eles operam à luz do dia, extraindo ouro em escala média e à vista de todos.

A grande armadilha legal

Os afluentes são bens públicos e intangíveis, mas o próprio Estado facilitou sua ocupação irregular. Segundo a investigação, existem pelo menos 215 concessões de mineração ativas que atravessam cinco das principais ...

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