Cientistas criam terapia pronta para uso contra tumores sólidos com sangue do cordão umbilical
Técnica AlloESO-T gera milhares de doses em laboratório e reduz risco de rejeição em testes pré-clínicos
Cientistas da UCLA desenvolveram a técnica AlloESO-T, usando células-tronco do sangue do cordão umbilical para criar terapias contra tumores sólidos, com produção em massa, menor risco de rejeição e eficácia demonstrada em testes pré-clínicos.
Cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) criaram um método inovador para combater tumores sólidos utilizando células-tronco do sangue do cordão umbilical. A nova técnica, chamada de AlloESO-T, permite produzir em massa células de defesa prontas para uso, eliminando a necessidade de tratamentos personalizados caros e demorados.
O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine em agosto, demonstrou que uma dose única foi capaz de controlar o crescimento do câncer em modelos animais.
Diferente da terapia celular CAR-T convencional, que reconhece apenas proteínas na superfície externa das células doentes, a abordagem TCR identifica fragmentos moleculares internos transportados para a membrana celular. Os pesquisadores inseriram nas células-tronco indiferenciadas um gene voltado para a proteína NY-ESO-1, marcador comum em diversos tumores sólidos.
A manipulação genética em estágio inicial impede que as células imunes desenvolvam receptores naturais aleatórios de doadores. Esse mecanismo elimina a necessidade de silenciamento genético adicional e reduz o risco da doença do enxerto contra hospedeiro, complicação em que o tecido transplantado ataca o organismo do paciente.
Como as células impedem a fuga do tumor?
A tecnologia integra receptores de células exterminadoras naturais para combater o escape antigênico. Essa estrutura secundária permite identificar sinais de estresse celular e destruir tumores mesmo quando a proteína principal é ocultada.
Em testes laboratoriais com linhagens humanas de melanoma, ovário e próstata, o duplo mecanismo eliminou células cancerígenas resistentes. Durante experimentos com camundongos, os linfócitos modificados multiplicaram a própria quantidade em cerca de 100 vezes dentro da massa tumoral, mantendo atividade por semanas sem se acumular no fígado ou nos pulmões.
Qual é a capacidade de produção do novo método?
O processo gera trilhões de células terapêuticas a partir de uma pequena amostra de sangue do cordão umbilical em cerca de seis semanas. Esse rendimento permite o armazenamento antecipado de milhares de doses congeladas a custos inferiores aos tratamentos autólogos tradicionais.
A equipe da UCLA associou-se ao Centro de Bioterapias Avançadas da UCLA Health para a fabricação em padrão clínico. O tratamento permanece em fase de testes pré-clínicos em laboratório e depende de ensaios clínicos em humanos antes de qualquer avaliação regulatória pela FDA.
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