Seca pode agravar escassez de alimentos na Coreia do Norte
País intensifica esforços para proteger plantações. Mudanças climáticas e calor extremo ameaçam produção agrícola, que costuma ficar aquém das necessidades da população.A imprensa estatal da Coreia do Norte alertou que o país atravessa uma seca excepcionalmente severa que ameaça as plantações na nação diplomaticamente isolada, que já enfrenta uma insegurança alimentar crônica.
Pyongyang está intensificando esforços em todo o país para proteger as plantações antes da temporada de plantio de arroz, informou a agência de notícias estatal KCNA nesta quinta-feira (30/04). "Uma seca incomum persiste em grande parte do país, um fenômeno raramente visto em anos anteriores", relatou o órgão de imprensa.
Agências governamentais mobilizam funcionários para enviar suprimentos agrícolas, garantir água para irrigação e instalar bombas e outros equipamentos para limitar os danos às plantações de trigo e cevada do início da safra.
Há anos a Coreia do Norte enfrenta uma enfrenta escassez de alimentos, como as crises de fome nos anos 1990, agravada pelas sanções internacionais, fechamento de fronteiras, insumos agrícolas limitados e choques climáticos.
Agências da ONU afirmam que a produção agrícola costuma ficar aquém das necessidades da população, com milhões de pessoas subnutridas e vulneráveis a desastres como secas e inundações.
Desastres naturais tendem a ter um impacto desproporcional no país, isolado diplomaticamente devido à sua infraestrutura e economia frágeis. Elizabeth Salmon, relatora especial da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, afirmou em fevereiro que a escassez de alimentos já era uma grande preocupação.
Ondas de calor mais frequentes e intensas
A Coreia do Sul também sofreu uma seca prolongada no ano passado, que atingiu a cidade costeira de Gangneung, no leste do país. O fenômeno obrigou as autoridades a implementar restrições de água, incluindo o desligamento de 75% dos medidores residenciais em toda a cidade.
O país registrou seu verão mais quente da história no ano passado. As duas Coreias também registraram temperaturas recorde para o mês de junho.
As mudanças climáticastornam as ondas de calor mais frequentes e intensas, e especialistas dizem que o fenômeno climático El Niño provavelmente retornará este ano, trazendo calor, seca e chuvas fortes para diferentes partes da Ásia.
Segundo a KCNA, o primeiro-ministro norte-coreano Pak Thae Song inspecionou fazendas nas províncias de Pyongan do Sul e Hwanghae do Norte e pediu aos funcionários que façam uso total das fontes de água, fortaleçam os sistemas de irrigação e aumentem a mecanização no plantio de arroz.
A imprensa estatal destacou que líder norte-coreano, Kim Jong-un, já havia alertado em 2024 que o fracasso em fornecer à população as necessidades básicas de vida, incluindo alimentos, era uma "questão política grave".
rc/cn (AFP, Reuters)
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