Por que o tsunami de 2011 no Japão foi tão mortal? A perfuração oceânica mais profunda já registrada pode explicar o fenômeno
Foi tudo culpa de uma simples camada de argila?
O terremoto de magnitude 9,1 que atingiu o Japão em março de 2011 provocou um dos tsunamis mais devastadores da história moderna, deixando cerca de 20 mil mortos, desencadeando o acidente nuclear de Fukushima e causando prejuízos superiores a US$ 200 bilhões. Agora, um estudo publicado na revista Science pode ter descoberto um dos principais fatores que tornaram o desastre tão extremo.
Pesquisadores identificaram uma fina camada de argila extremamente escorregadia localizada sob a Fossa do Japão, no Oceano Pacífico. Segundo a equipe, essa formação geológica permitiu que a ruptura do terremoto alcançasse o fundo do mar, deslocando o leito oceânico em uma escala sem precedentes e gerando o gigantesco tsunami.
A perfuração mais profunda já realizada no fundo do oceano
Para entender por que o terremoto de 2011 se comportou de maneira tão diferente da maioria dos grandes sismos, cientistas de diversos países embarcaram no navio de pesquisa Chikyu e realizaram a perfuração científica mais profunda já feita no fundo do oceano, um feito reconhecido pelo Guinness World Records.
As amostras retiradas de aproximadamente 8 quilômetros abaixo da superfície do mar revelaram uma camada de cerca de 30 metros de espessura composta por argila pelágica, um sedimento extremamente macio formado ao longo de milhões de anos pelo acúmulo de partículas microscópicas no fundo do oceano.
Os pesquisadores explicam que essa camada funciona como uma espécie de "linha de ruptura" natural, concentrando o ...
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