Ozônio eleva risco de morte por doenças respiratórias
Pessoas que vivem em áreas com alta concentração do poluente ozônio têm 25 a 30% mais chances de morrer de doenças pulmonares do que quem mora em lugares com ar mais puro, disseram pesquisadores da Universidade da Califórnia/Berkeley.
Michael Jerrett e seus colegas acompanharam quase 500 mil pessoas nos Estados Unidos ao longo de 18 anos, e concluíram que o ozônio não tinha influência sobre as mortes por doença cardíaca, quando se levava em conta a poluição por material particulado.
Já o ozônio, que no nível do solo é uma forma corrosiva de oxigênio e constitui o principal componente da poluição urbana, tinha um papel chave nas mortes por causas respiratórias.
"Agora sabemos que controlar o ozônio é benéfico não só para mitigar o aquecimento global, mas pode também ter benefícios em curto prazo na redução das mortes por causas respiratórias" disse Jerrett em nota.
Os médicos há muito tempo sabem que o ozônio é nocivo. A exposição mesmo breve agrava os sintomas da asma e gera problemas respiratórios. Alertas sobre ozônio são comuns em grande parte dos Estados Unidos em dias quentes do verão.
O estudo, publicado na edição de quinta-feira da revista New England Journal of Medicine, mostra que a exposição prolongada aumenta a mortalidade, segundo Jerrett.
"É a primeira vez que conseguimos relacionar a exposição crônica ao ozônio, um dos poluentes mais difundidos do mundo, com o risco de morte" disse ele.
Cerca de 7,7 milhões de pessoas morrem por ano de causas respiratórias no mundo, e a equipe relatou que elevar o nível de ozônio em 10 partes por bilhão já aumenta em 4% a probabilidade de morte por problemas pulmonares.
Em altitudes estratosféricas, a camada de ozônio tem uma função positiva em proteger a Terra dos raios solares.