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LHC é reativado com colisões mais potentes de sua história

Maior acelerador de partículas do mundo está em ação novamente

5 jul 2022 - 14h18
(atualizado às 14h30)
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Reativado nesta terça-feira (5) após mais de três anos em manutenção e atualização, o acelerador de partículas LHC já está realizando colisões em nível recorde, o que pode abrir caminho para uma nova página na física.

Vista do interior do Grande Colisor de Hádrons, na fronteira franco-suíça
Vista do interior do Grande Colisor de Hádrons, na fronteira franco-suíça
Foto: AP / Ansa - Brasil

O terceiro ciclo de atividades do Grande Colisor de Hádrons (do inglês Large Hadron Collider), maior acelerador de partículas já construído pela humanidade, realiza colisões de 13,6 trilhões de elétron-volts, número inédito no experimento.

Em sua segunda fase, o LHC conseguia obter energias de até 13 trilhões de elétron-volts. Além disso, o acelerador vai colidir um número maior de prótons, o que aumentará drasticamente a quantidade de dados obtidos.

"Começa hoje uma nova era, um novo capítulo na história do LHC", disse a diretora da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), a italiana Fabiola Gianotti. "A nova energia alcançada, de 13,6 trilhões de elétron-volts, nos permitirá enfrentar as questões ainda abertas na física fundamental", acrescentou.

Um pequeno incidente técnico durante a manhã, causado pelo superaquecimento de alguns componentes, exigiu horas de trabalho da equipe para devolvê-los à temperatura correta, mas depois o terceiro ciclo teve início com sucesso.

O LHC, composto por um túnel de 27 quilômetros situado abaixo da fronteira entre Suíça e França, funcionará ininterruptamente por quase quatro anos, e os físicos estimam coletar o dobro das informações reunidas nos dois ciclos anteriores.

Um dos sonhos declarados dos cientistas do Cern é descobrir a partícula que constitui a matéria escura, o misterioso componente que não interage com a matéria normal e sobre o qual se sabe pouca coisa além do fato de que existe e de seus efeitos gravitacionais.

"Sabemos que o universo contém cerca de 25% de matéria escura, e descobrir a partícula que a compõe seria um passo enorme", disse Gianotti à ANSA na última segunda-feira (4).

Até hoje, o maior feito do LHC é a confirmação da existência do Bóson de Higgs, anunciada em 4 de julho de 2012. Essa partícula é fundamental para a compreensão sobre o processo de formação da matéria após o Big Bang, evento que teria feito o universo sair de um estado infinitamente denso e quente para uma expansão cada vez mais acelerada.

O campo e o Bóson de Higgs teriam sido os responsáveis por conferir massa a outras partículas no universo primordial, permitindo que o cosmo ganhasse a forma que tem hoje.

A descoberta rendeu o Nobel de Física a Peter Higgs e François Englert, que, juntos com Robert Brout, morto em 2011, haviam previsto a existência desse elemento em 1964, quase 50 anos antes da confirmação dada pelo LHC.

No entanto, o acelerador é alvo de críticas na comunidade científica por não ter feito nenhuma descoberta relevante após o Bóson de Higgs, apesar dos custos multibilionários envolvidos no projeto.

Ansa - Brasil   
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