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Oxigênio é detectado acima das nuvens no lado diurno de Vênus

Cientistas descobriram oxigênio atômico acima das nuvens de Vênus em seu lado diurno, o que pode ajudar a revelar processos atmosféricos por lá. Saiba mais

8 nov 2023 - 13h01
(atualizado às 17h55)
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Pela primeira vez, átomos de oxigênio foram encontrados no lado diurno da atmosfera de Vênus. Os cientistas já haviam observado o oxigênio no lado noturno do planeta, mas agora, um novo estudo liderado por pesquisadores do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) indica que o composto está mais espalhado do que parecia.

Foto: NASA / Canaltech

Ao estudar a atmosfera de Vênus e os processos nela, os cientistas podem compreender também o que torna a Terra e este mundo tão diferentes. Uma das formas de fazer isso é estudar o oxigênio atômico, formado por átomos de oxigênio únicos — ao contrário do oxigênio molecular (aquele que respiramos), formado por dois átomos de oxigênio ligados.

O oxigênio atômico está presente na atmosfera de Vênus (Imagem: Reprodução/JAXA/ISAS/DARTS/Kevin M. Gill)
O oxigênio atômico está presente na atmosfera de Vênus (Imagem: Reprodução/JAXA/ISAS/DARTS/Kevin M. Gill)
Foto: Canaltech

Na Terra, o oxigênio atômico é frequente a altas altitudes porque a luz solar separa o oxigênio atmosférico. Parece que um processo semelhante acontece em Vênus: a atmosfera venusiana tem grandes quantidades de dióxido de carbono que, com a luz solar, se separa em oxigênio atômico e monóxido de carbono.

Quando estes átomos seguem ao lado noturno de Vênus, eles se recombinam e formam dióxido de carbono. Os cientistas já sabiam que o oxigênio atômico fazia parte do processo, mas até então, nunca o detectaram no lado diurno do planeta. Isso mudou quando o físico Heinz-Wilhelm Hübers e seus colegas analisaram dados coletados pelo observatório SOFIA (sigla de Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy).

Ele era um observatório instalado em um avião que voava sobre a atmosfera da Terra. Durante suas operações, o SOFIA coletou dados do lado diurno e noturno de Vênus e do seu terminador, a linha que divide ambos. Nas 17 localizações estudadas, havia oxigênio atômico cuja concentração chegava aos maiores níveis a cerca de 100 quilômetros de altitude.

Os autores observam que a altitude corresponde àquela onde há dois grandes padrões de circulação atmosférica em Vênus. Um deles é um fluxo de rotação 70 km abaixo, que tem movimento contrário àquele do planeta sobre seu próprio eixo. O outro é um fluxo na atmosfera superior, observado acima dos 120 km de altitude.

Mapa dos locais, temperatura e densidade do oxigênio atômico em Vênus (Imagem: Reprodução/Hübers et al., Nat. Commun., 2023/CC 4.0)
Mapa dos locais, temperatura e densidade do oxigênio atômico em Vênus (Imagem: Reprodução/Hübers et al., Nat. Commun., 2023/CC 4.0)
Foto: Canaltech

Portanto, o oxigênio atômico representa uma forma de estudar a zona de transição atmosférica em Vênus. Segundo a equipe, observações futuras podem trazer mais detalhes sobre a região, contribuindo também para o desenvolvimento de futuras missões ao planeta.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: Nature Communications; Via: Science Alert, IFLS Science

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