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O céu não é o limite! | Asteroides, água na formação de planetas, miniluas e+

Confira as principais notícias do espaço da semana 24 a 1º de março de 2024 e fique por dentro de tudo o que mais importa no universo da astronomia!

3 mar 2024 - 11h01
(atualizado em 4/3/2024 às 12h06)
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A última semana do mês foi recheada de notícas sobre nosso próprio Sistema Solar e missões espaciais, nem todas positivas. Mas também vimos novas descobertas sobre o universo mais antigo, com buracos negros supermassivos intrigando os cientistas.

Foto: M. Kornmesser/J. Hopkins APL/S. Gribben/ALMA/S. Facchini / Canaltech

Confira o resumo semanal das principais notícias astronômicas da semana.

As imagens do asteroide perto da Terra

A NASA fotografou o asteroide 2008 OS7 durante sua aproximação à Terra, a 2,9 milhões de quilômetros. Essa distância corresponde a 7,5 vezes a distância até a Lua, ou seja, não representou perigo.

Embora não tenha nos ameaçado, este objeto é classificado como potencialmente perigoso para a Terra, pois sua órbita pode trazê-lo para mais perto de nosso planeta. Mas isso não deve ocorrer nos próximos séculos.

A mudança do Dimorphos após missão DART

Por falar em asteroides, parece que o Dimorphos sofreu algumas mudanças significativas após a missão DART, que chocou uma espaçonave em sua superfície. Além sua órbita ter sido alterada em 33 minutos, que era o objetivo primário da missão, agora o objeto estaria semelhante uma pilha de entulhos, mais ou menos como o asteroide Bennu.

Simulação dos primeiros 30 minutos do asteroide Dimorphos após a colisão da DART (Imagem: Reprodução/S. D. Raducan (UNIBE)
Simulação dos primeiros 30 minutos do asteroide Dimorphos após a colisão da DART (Imagem: Reprodução/S. D. Raducan (UNIBE)
Foto: Canaltech

Na simulação, os cientistas descobriram que o Dimorphos reagiu ao impacto de modo semelhante a outros asteroides, como Ryugu e Bennu. Isso foi uma surpresa, devido às diferenças na composição desses corpos.

Os 3 oceanos de água ao redor de uma estrela 

O disco de gás e poeira ao redor da estrela HL Tauri teria três vezes mais água do que os oceanos de nosso planeta, segundo novo estudo. Nessa região, há planetas em formação, portanto é possível que alguns deles se tornem mundos aquáticos. A água ao redor da estrela está na forma de vapor distribuído em discos frios e estáveis, ideais para a formação planetária. 

O vapor d'água em HL Tauri aparece representado em azul, enquanto o vermelho indica a distribuição de poeira (Imagem: Reprodução/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Facchini et al)
O vapor d'água em HL Tauri aparece representado em azul, enquanto o vermelho indica a distribuição de poeira (Imagem: Reprodução/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Facchini et al)
Foto: Canaltech

É a primeira vez que os astrônomos mapeam a presença dessa molécula nos discos protoplanetários ao redor de estrelas. Outro aspecto positivo é que a HL Tauri é semelhante ao Sol e está localizada a apenas 450 anos-luz, o que facilita bastante os estudos com telescópios modernos.

As novas luas em Urano e Netuno

Astrônomos descobriram três novas luas no Sistema Solar: duas em Netuno e uma em Urano, somando agora 16 e 28 luas no total, respectivamente. Elas são as mais tênues já encontradas ao redor desses planetas.

A nova lua uraniana S/2023 U1 é um pontinho quase imperceptível indicado pela seta amarela (Imagem: Reprodução/Scott Sheppard, via: Carnegie Science)
A nova lua uraniana S/2023 U1 é um pontinho quase imperceptível indicado pela seta amarela (Imagem: Reprodução/Scott Sheppard, via: Carnegie Science)
Foto: Canaltech

Duas delas estão ao redor de Netuno, batizadas de S/2021 N1 e /2002 N5; já em Urano, a lua se chama S/2023 U1. Todos os três objetos vão receber nomes oficiais baseados no sistema de nomenclatura usado para cada planeta, o que significa que as peças de Shakespeare nomeiam objetos uranianos,  nomes de Nereidas, corpos netunianos.

O vazamento de ar no módulo russo da ISS

Um novo vazamento de ar foi detectado em um módulo russo da Estação Espacial Internacional (ISS), onde uma espaçonave Progress está acoplada. O gerente de programa da estação na NASA assegura que não há riscos para os astronautas a bordo, e a agência estadunidense está colaborando com a Rússia para monitorar a situação. 

A ISS já sofreu com vazamentos outras vezes (Imagem: Reprodução/Oleg Novitskiy/Roscosmos)
A ISS já sofreu com vazamentos outras vezes (Imagem: Reprodução/Oleg Novitskiy/Roscosmos)
Foto: Canaltech

A missão Crew-8, que estava originalmente programada para a sexta-feira (1º), foi adiada, mas os oficiais deixaram claro que o problema de vazamento não teria nenhum impacto para o lançamento. Portanto, a nova data (3) foi estabelecida apenas devido ao mau tempo.

Falha da missão IM-1?

Pois é, após a missão privada Peregrine fracassar em seu objetivo de chegar à Lua, foi a vez da Odysseus ser encerrada. A empresa anunciou que, após pousar tombada na superfície lunar, a espaçonave perderia o contato com a Terra bem antes do previsto, que era de 10 dias.

Foto da Odysseus revela sua posição deitada (Imagem: Reprodução/Intuitive Machines)
Foto da Odysseus revela sua posição deitada (Imagem: Reprodução/Intuitive Machines)
Foto: Canaltech

Apesar de ter conseguido pousar na Lua, um problema em uma de suas pernas fez com que a espaçonave tombasse, prejudicando componentes como algumas de suas antenas de comunicação com a Terra. A empresa, que assinou contrato com a NASA para enviar cargas úteis à Lua, admitiu que a queda do módulo impediu seu funcionamento correto.

A estrela que pode explodir neste ano

A Betelgeuse, estrela que muitos esperavam ver explodindo em supernova anos atrás, não nos proporcionou esse espetáculo. Contudo, os astrônomos depositaram as expectativas em outra estrela que está se comportando de maneira estranha. Estamos falando de T Coronae Borealis, estrela que deve explodir esse ano

Posição da constelação Corona Borealis para um observador em São Paulo (Imagem: Captura de tela/Stellarium)
Posição da constelação Corona Borealis para um observador em São Paulo (Imagem: Captura de tela/Stellarium)
Foto: Canaltech

Mas calma, não é bem o que realmente gostaríamos de testemunhar.Essa estrela está localizada a três mil anos-luz da Terra e sofre algumas explosões cíclicas, ocorrendo a cada 80 anos. A última explosão foi em 1946, e a próxima está prevista para ocorrer entre fevereiro e setembro deste ano.

Ou seja, não se trata de uma supernova, mas explosões ocasionais que, ainda assim, podem ser muito interessantes. O objeto normalmente apresenta magnitude +10 (não visível a olho nu), mas deve atingir magnitude +2 (quanto menor o número, mais brilhante). Em outras palavras, deve aparecer uma nova estrela visível no céu, ao menos por algum tempo.

A utilidade das miniluas da Terra

As miniluas (pequenos corpos com órbitas parcialmente influenciadas pela Terra) podem ajudar os cientistas a compreender melhor o Sistema Solar e a história de sua formação. O plano é enviar missões a esses objetos, aproveitando suas distâncias mais curtas em relação a outros corpos celestes.

A NASA afirmou que a coleta de amostras dessas miniluas podem ser mais úteis nas pesquisas sobre asteroides do que as análises de meteoritos que caíram na Terra, já que estes estão contaminados pelo nosso planeta. Os cientistas pretendem estudar a presença das moléculas orgânicas e de água nas miniluas, potencialmente revelando alguns segredos do nosso quintal cósmico. 

O par de buracos negros mais massivo já visto

Os cientistas observaram o par binário de buracos negros mais massivo já encontrado, e ficaram bastante intrigados. É que, contrariando as previsões teóricas, os dois objetos estão separados por somente 24 anos-luz; eles estão próximos o suficiente para se fundirem, mas permanecem assim há mais de três bilhões de anos.

Conceito artístico de dois buracos negros, que juntos somam 28 bilhões de massas solares (Imagem: Reprodução/NASA/CXC/A.Hobart)
Conceito artístico de dois buracos negros, que juntos somam 28 bilhões de massas solares (Imagem: Reprodução/NASA/CXC/A.Hobart)
Foto: Canaltech

Este sistema binário se formou após duas galáxias, cada uma com um buraco negro supermassivo em seu núcleo, se fundirem. O processo também deveria resultar na fusão dos buracos negros, mas isso não ocorreu. Aliás, os cientistas nunca observaram tal tipo de fusão e ainda há dúvidas se elas realmente são possíveis, ou se a teoria deve ser revista.

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