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Manto da Terra pode ter restos do impacto que formou a Lua

Novo estudo indica que alguns dos pedaços de rocha liberados após o impacto de Theia com a Terra parecem estar no interior do nosso planeta

1 nov 2023 - 19h58
(atualizado em 2/11/2023 às 11h28)
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Mais um estudo indica que o manto da Terra tem pedaços de rochas deixados após a formação da Lua. É o que descobriu uma equipe de cientistas liderada por Qian Yuan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia — e, segundo eles, tais fragmentos de rocha podem ter tamanho comparável ao de um continente.

Foto: NASA/JPL-Caltech / Canaltech

Os cientistas acreditam que a Terra se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos, e a Lua, um pouco depois. Hoje, a hipótese do impacto gigante é a teoria mais amplamente aceita para explicar a origem do nosso satélite natural.

A teoria do impacto gigante diz que a Lua foi formada após um grande objeto colidir com a Terra jovem (Imagem: Reprodução/American Museum of Natural History)
A teoria do impacto gigante diz que a Lua foi formada após um grande objeto colidir com a Terra jovem (Imagem: Reprodução/American Museum of Natural History)
Foto: Canaltech

Segundo ela, a Lua é formada pelos fragmentos liberados após uma colisão entre a Terra jovem e Theia, um corpo planetário que tinha o tamanho de Marte. Para Yuan e seus colegas, o impacto pode ter deixado vestígios próximos do núcleo terrestre.

A conclusão veio da análise de duas grandes bolhas rochosas no manto inferior da Terra, a cerca de 2.900 km abaixo da superfície. Estudos anteriores mostraram que, quando ondas sísmicas viajam pelo interior do nosso planeta, elas perdem velocidade ao atravessar as bolhas.

Isso sugere que, talvez, sejam mais densas que seus arredores e que têm composição diferente daquela no restante do manto. As simulações computacionais feitas pelos autores mostraram uma possível explicação para isso: talvez elas sejam parte do manto de Theia, que encontrou caminho até alcançar o manto inferior terrestre.

Bolhas no manto da Terra

As possíveis rochas de Theia seriam até 3,5% mais densas que o manto da Terra, medindo dezenas de quilômetros de largura. Grande parte das rochas derretidas teriam afundado e se solidificado com o tempo, e acabaram acumuladas sobre o núcleo da Terra como bolhas densas.

Elas representariam até 16% da massa da Terra, parecem ter mais ferro que as rochas do manto terrestre e podem ser semelhantes às rochas vulcânicas lunares. Para Yuan, é possível que as bolhas cheguem à superfície com a ajuda de plumas no manto, que são rochas aquecidas vindas do núcleo terrestre,

Agora, ele e os autores estão investigando se as bolhas podem ter causado algum tipo de atividade geológica exclusiva da Terra. "Nosso trabalho indica que este impacto gigante teve um efeito longo e duradouro para toda a evolução da Terra, e pode potencialmente explicar o porquê de a Terra ser geologicamente única em comparação com outros planetas rochosos", disse Yuan.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Nature; Via: Space.com

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