Cães distinguem medo e tristeza em humanos, revela estudo em 2026
Pesquisa com ressonância magnética mostra que o cérebro canino processa a felicidade em área ligada à recompensa e separa emoções negativas
Cientistas da Universidade de Viena, em colaboração com outras instituições, confirmaram o que muitos tutores de pets já suspeitavam: os cães conseguem ir além da leitura de expressões básicas e distinguem entre emoções humanas complexas. Publicado na revista iScience em 7 de agosto, um novo estudo revela que o cérebro canino não apenas reconhece a felicidade, mas também diferencia o medo da raiva e da tristeza em rostos humanos, oferecendo uma nova perspectiva sobre a notável compreensão social desses animais.
Como o cérebro dos cães reage à felicidade?
O cérebro canino processa rostos humanos felizes em uma rede específica formada pelo córtex temporal e pelo núcleo caudado. Essas regiões estão associadas ao processamento cognitivo superior e ao sistema de recompensa, o que indica que os sorrisos possuem um significado emocional positivo e único para os animais.
Os pesquisadores da Universidade de Viena escanearam inicialmente oito cães. Os animais observaram imagens de pessoas desconhecidas com expressões felizes ou neutras durante exames de ressonância magnética funcional (fMRI).
A pesquisadora Laura Cuaya explica que a atividade no núcleo caudado sugere a importância emocional da felicidade humana para os cães. A rede identificada respondeu unicamente aos sorrisos, diferenciando-se das reações a outras emoções.
O que acontece diante de emoções negativas?
Diante de expressões de raiva, medo e tristeza, os cães apresentam padrões distintos de atividade cerebral que permitem separar cada uma dessas emoções. A análise de todo o cérebro revelou que os animais não classificam o mundo apenas em "bom ou ruim", mas identificam as particularidades das expressões negativas.
A equipe de cientistas exibiu imagens de pessoas demonstrando felicidade, raiva, medo e tristeza para um grupo maior de animais. O mapeamento cerebral foi analisado com o uso de ferramentas de aprendizado de máquina.
O experimento que mapeou as reações a múltiplas emoções humanas contou com a participação de 12 cães de estimação, segundo os dados publicados na revista iScience (2026).
O autor principal do estudo, Raúl Hernández-Pérez, afirma que os cães percebem pequenos detalhes nos rostos humanos. O pesquisador destaca que o estudo ajuda a entender as adaptações evolutivas que sustentam a compreensão social canina.
Qual é o papel da evolução nessa habilidade?
A capacidade de ler expressões humanas resulta do processo de domesticação, que forçou os cães a desenvolverem habilidades sociais para cooperar com as pessoas. Diferente dos primatas, que compartilham um ancestral comum com os humanos, os cães seguiram um caminho evolutivo distinto focado na convivência interespécies.
O estudo ressalta que a visualização de fotos estáticas representa apenas uma parte da comunicação. Na vida real, os cães também avaliam a linguagem corporal, as nuances vocais e as informações olfativas dos humanos.
Os cientistas planejam realizar novas pesquisas com uma perspectiva centrada no cão. O objetivo futuro da Universidade de Viena é comparar como os cérebros humanos e caninos processam os mesmos sinais emocionais no dia a dia.
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