Inteligência artificial explica apenas parte da leitura humana, revela estudo de 2026
Pesquisa com rastreamento ocular mostra que modelos de linguagem falham em compreender a necessidade de releitura em textos complexos
Cientistas da Universidade de Nova York e da Universidade de Massachusetts Amherst descobriram que a inteligência artificial pode explicar apenas parcialmente por que algumas palavras são mais difíceis de ler do que outras. Publicado na revista PNAS, o estudo revela que, embora humanos e IA dependam da previsão da próxima palavra no início da leitura, o processamento humano diverge em passagens complexas, como as que exigem releitura, um aspecto que os modelos atuais de IA não conseguem explicar.
A pesquisa utilizou tecnologia de rastreamento ocular para analisar o comportamento de 368 leitores adultos. O objetivo dos pesquisadores era entender quanto tempo as pessoas gastam lendo e relendo cada palavra em frases sintaticamente desafiadoras.
Cerca de 20% dos movimentos oculares humanos durante a leitura são para trás, segundo dados da Universidade de Nova York (2026).
Como a inteligência artificial processa a leitura?
Os modelos de linguagem de inteligência artificial processam a leitura prevendo a próxima palavra de uma frase. Essa etapa inicial é semelhante ao funcionamento do cérebro humano ao identificar uma palavra a partir de uma sequência de letras.
No entanto, a semelhança termina nessa fase preditiva. O professor associado de linguística da Universidade de Nova York, Tal Linzen, afirma que a mente humana não funciona como os sistemas de inteligência artificial padrão.
Os modelos de inteligência artificial não conseguem explicar o momento em que os humanos decidem retroceder os olhos no texto para compreender o significado completo da passagem lida.
O que acontece quando o texto fica complexo?
Quando o texto apresenta armadilhas sintáticas, os humanos precisam integrar a palavra ao significado maior da frase, o que exige releitura. A inteligência artificial não consegue replicar ou explicar essa segunda etapa de integração.
O pesquisador William Timkey explica que os humanos constroem uma representação mental do significado da frase. Quando a previsão inicial está errada, o leitor atualiza essa representação mental com base no novo contexto.
Os cientistas compararam os movimentos oculares humanos com previsões geradas por mais de 400 modelos de linguagem. O resultado demonstrou grandes lacunas entre o que a previsibilidade da palavra explica e o que os modelos cognitivos precisam explicar.
Quais são os próximos passos da pesquisa?
As descobertas oferecem um roteiro para melhorar o aprendizado de idiomas e tratar dificuldades relacionadas à leitura. O trabalho também demonstra os limites da inteligência artificial na ciência cognitiva.
O professor Brian Dillon, da Universidade de Massachusetts Amherst, destaca que a inteligência artificial tem valor para a ciência cognitiva, mas não é suficiente para mapear todo o processo de compreensão humana.
O estudo recebeu apoio da National Science Foundation e ajuda a esclarecer as fronteiras entre o processamento de linguagem natural das máquinas e a cognição do cérebro humano.
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