Apps e plataformas não podem abolir as leis trabalhistas, diz Lula
"A precarização do trabalho precisa ser revertida", disse Lula, sem citar nomes de empresas que teriam sido parte desse problema
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em discurso nesta segunda-feira (17), que as grandes empresas de tecnologia respeitem e sigam legislações trabalhistas em suas áreas de atuação.
A fala ocorreu durante a abertura da Cúpula América Latina-União Europeia, em Bruxelas, com a participação de 33 países. O presidente terá agenda de dois dias na Europa.
"Aplicativos e plataformas não podem simplesmente abolir as leis trabalhistas pelas quais tanto lutamos. A precarização do trabalho precisa ser revertida", disse Lula, sem citar nomes de empresas que teriam sido parte desse problema.
O chefe do Executivo também acredita ser "urgente" uma regulamentação mais rígida para o uso das plataformas digitais contra ilícitos cibernéticos e a desinformação. "O que é crime na vida real deve ser considerado crime no mundo digital", apontou.
"Nossas regiões estão ameaçadas pelo extremismo político, pela manipulação da informação, pela violência que ataca e silencia as minorias. Não existe democracia sem respeito à diversidade, sem que estejam contemplados os direitos das mulheres, negros, indígenas, LGBTQIA+, pobres e imigrantes", apontou Lula.
O petista já havia defendido a necessidade de regular as redes sociais para evitar ameaças à democracia em uma carta enviada à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lida em fevereiro, durante a conferência global "Internet for Trust", em Paris.
O presidente ainda incluiu em seu discurso tendências recentes da tecnologia, como internet das coisas e a robótica, como temas com potencial de trazer benefícios, mas com a devida monitoração das nações.
"Políticas ativas de inclusão social, digital e educacional são fundamentais para a promoção dos valores democráticos e da defesa do estado de direito. A revolução digital traz inúmeras oportunidades com as novas gerações de transmissão de dados com a internet das coisas, com a robótica e com as redes sociais. Populações antes isoladas tem agora a oportunidade de se conectar, de produzir conteúdo, de oferecer consumo e serviços. Mas há desafios importantes que requerem coordenação dos nossos países e de nossas regiões", disse.
* Com Deutsche Welle