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AGU pede bloqueio de mais de 50 grupos do Telegram que incentivam novos atos golpistas

Monitoramento entre os dias 4.jan e 8.jan revela +50 canais e grupos que participaram de vandalismo

11 jan 2023 - 11h02
(atualizado às 13h40)
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A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou na noite de terça-feira (10.jan) que o Supremo Tribunal Federal (STF) determine o bloqueio de 7 canais e 46 supergrupos do Telegram que tentam organizar ou incentivar novos atos golpistas em todo o país, ou que participaram na organização dos ataques às sedes dos três poderes em Brasília dia 8.jan.2023.

Foto: Núcleo Jornalismo

[Atualizado às 13h37] O ministro do STF Alexandre de Moraes atendeu ao pedido da AGU e determinou o bloqueio dos grupos.

STF determina bloqueio de grupos golpistas no Telegram
Ministro Alexandre de Moraes acatou pedido da AGU para bloquear 7 canais e 46 supergrupos
Foto: Núcleo Jornalismo
Foto: Núcleo Jornalismo

Uma publicação que convoca "Mega Manifestação Nacional pela Retomada do Poder" em todas as capitais nesta quarta-feira (11.jan) às 18h foi detectada ontem pelo monitoramento do Núcleo e é citada na petição do órgão.

Trecho da petição da AGU/Reprodução
Trecho da petição da AGU/Reprodução
Foto: Núcleo Jornalismo

O monitoramento da AGU entre os dias 4.jan e 8.jan revela grupos que participaram da invasão aos prédios do Congresso, do STF e do Palácio do Planalto, além dos canais que estão divulgados desde ontem (10.jan) os novos atos.

A AGU pede que o STF determine:

"que o provedor de aplicação Telegram proceda com o bloqueio da conta de todos os usuários identificados pelo from_user_id em anexo; determinação imediata para que o provedor de aplicação Telegram proceda com o bloqueio de todos os grupos identificados pelo chat_id; e determinação

imediata para que o provedor de aplicação Telegram identifique e bloqueie de todos os grupos que os usuários identificados sejam administradores".

ESTRATÉGIAS. Muitos desses canais monitorados já não podem ser encontrados — como os canais Gaia Brasil e Brasil Notícias, citados pela AGU —, assim como muitas mensagens foram deletadas.

Nomes de grupos também foram alterados, e passaram a usar mensagens temporárias. Alguns usuários também estão migrando para outras redes, como o Signal e Gettr.

Reprodução do canal bolsonarista Diário News
Reprodução do canal bolsonarista Diário News
Foto: Núcleo Jornalismo

Além disso, os canais monitorados também adotaram moderação mais rígida. O "🇧🇷🇧🇷Official Brazil Convoy 2022🇧🇷🇧🇷 Chat" só aceita membros novos após análise dos administradores do grupo. E como os canais estão sendo invadidos por "infiltrados", os moderadores conduzem desde segunda uma faxina entre os integrantes, excluindo membros.

Além da chamada para atos golpistas nas capitais na quarta-feira (11.jan), os grupos tentam organizar uma paralisação nacional em 16.jan
Além da chamada para atos golpistas nas capitais na quarta-feira (11.jan), os grupos tentam organizar uma paralisação nacional em 16.jan
Foto: Núcleo Jornalismo

NOVOS ATOS. Os bolsonaristas criaram grupos por regiões do país para organizar os novos atos.

A movimentação nesses canais foi intensa durante a madrugada desta quarta-feira, 11.jan, conforme revela monitoramento do Núcleo. Um gabinete de crise foi criado pelo governo federal para monitorar a situação e a segurança será reforçada.

Reprodução de mensagens enviadas entre a noite de 10.jan e a manhã de 11.jan em canais bolsonaristas do Telegram 

Usando hashtags como #BrazilianSpring e #PrimaveraBrasileira, além de se referirem à Academia Nacional de Polícia Federal — onde os golpistas que participaram do ataque de 8.jan estão presos — como campo de concentração, as mensagens recentes dos canais bolsonaristas são de "táticas de guerrilha" e orientações para os detidos.

Reprodução de mensagens enviadas entre a noite de 10.jan e a manhã de 11.jan em canais bolsonaristas do Telegram 

Leia a íntegra da petição da AGU

Edição Sérgio Spagnuolo

Texto atualizado às 11h06 de 11.jan.2023 com mais informações sobre o montante de grupos

Texto atualizado às 13h37 de 11.jan.2023 para incluir posicionamento do STF, no segundo parágrafo.

Núcleo Jornalismo
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