Ondas de calor influenciam escolha e mantêm Canadá, Irlanda e Nova Zelândia no top 10 do intercâmbio
O avanço das ondas de calor ao redor do mundo já começa a influenciar decisões que vão além do turismo, e chega com força ao setor de educação internacional. Uma nova geração de estudantes brasileiros têm colocado o clima como fator estratégico na escolha do destino de intercâmbio, priorizando países com temperaturas mais amenas e maior qualidade de vida ao longo do ano.
Dados da Pesquisa Selo Belta 2025, realizada pela Associação Brasileira das Agências de Intercâmbio, mostram que destinos como Canadá, Irlanda e Nova Zelândia permanecem entre os mais procurados pelos brasileiros, todos dentro do top 10 global de preferências.
O ranking é liderado por Canadá, seguido por Estados Unidos e Reino Unido, com Irlanda e Austrália completando o top 5. Na sequência aparecem Malta, África do Sul, Nova Zelândia, Espanha e Alemanha, um grupo diverso, mas que revela uma tendência. O equilíbrio climático começa a ganhar peso na decisão final.
"Os estudantes estão cada vez mais atentos à experiência completa que o destino oferece. Isso inclui qualidade de vida, bem-estar e, claro, o clima. Países com temperaturas mais equilibradas acabam se destacando nesse novo cenário", afirma Alexandre Argenta, presidente da Belta.
Historicamente, fatores como custo, idioma e possibilidade de trabalho sempre lideraram a escolha de destinos. No entanto, com verões mais intensos na Europa e eventos climáticos extremos em diferentes regiões, o clima passou a ser um critério relevante. Especialmente, para programas de longa duração.
Nesse contexto, países do hemisfério norte e regiões insulares ganham protagonismo.
Canadá
Líder do ranking, o país se destaca pelo clima frio na maior parte do ano, com invernos rigorosos e verões curtos e amenos. Cidades como Toronto e Vancouver oferecem infraestrutura moderna, segurança e políticas que permitem conciliar estudo e trabalho.
Irlanda
Conhecida como "ilha esmeralda", tem clima oceânico, com temperaturas moderadas ao longo do ano e ausência de extremos. Além disso, combina tradição acadêmica com um mercado aberto para estudantes internacionais, o que ajuda a explicar sua presença constante entre os destinos preferidos.
Nova Zelândia
Com clima temperado e forte contato com a natureza, o país oferece qualidade de vida elevada e menor densidade populacional. Características cada vez mais valorizadas por estudantes que buscam equilíbrio entre estudo e bem-estar.
Reino Unido e Alemanha
Também entram nessa lógica, com estações bem definidas e temperaturas geralmente mais suaves do que em regiões tropicais ou com extremos climáticos recentes.
Por outro lado, destinos tradicionalmente populares, como Austrália e Malta, seguem no ranking, mas passam a dividir espaço com países que oferecem maior conforto térmico ao longo do ano. A mudança no comportamento dos intercambistas acompanha uma transformação mais ampla no perfil do estudante internacional, que busca experiências completas e sustentáveis.
"Não se trata apenas de estudar fora, mas de viver bem durante esse período. O clima impacta diretamente a rotina, a adaptação e até o desempenho acadêmico", reforça Argenta. O próprio crescimento do setor, com projeção de alta de 17% em 2025, segundo dados da Pesquisa Selo Belta, indica que, mesmo diante de novos critérios de escolha, o interesse pelo intercâmbio segue em expansão.
Alexandre Argenta, especialista do setor, aponta que a variável climática tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Principalmente entre estudantes que optam por programas de longa duração ou experiências híbridas, que combinam estudo e trabalho.
Nesse cenário, destinos com temperaturas equilibradas, infraestrutura urbana e políticas favoráveis a estrangeiros devem continuar em evidência, consolidando uma nova lógica na escolha do intercâmbio: estudar, sim, mas também viver melhor.
Inglês como principal escolha de idioma
Além das mudanças no comportamento de escolha dos destinos, o idioma continua sendo um dos principais fatores que orientam a decisão dos intercambistas. O inglês segue como a língua mais procurada por estudantes brasileiros. Consolidando-se como ferramenta essencial de comunicação global e ampliando as possibilidades acadêmicas e culturais durante a experiência no exterior.
Nesse contexto, a preparação prévia no Brasil ganha ainda mais relevância. Para Rodrigo Berghahn, Coordenador Pedagógico da Minds Idiomas, iniciar o aprendizado antes do embarque pode fazer toda a diferença na adaptação e no aproveitamento do intercâmbio. "Quando o aluno já chega com uma base estruturada, ele consegue aproveitar melhor as aulas, interagir com mais confiança e evoluir de forma mais consistente ao longo da experiência", explica.
A relação entre instituições de ensino de idiomas e o setor de intercâmbio também se fortalece nesse cenário. Enquanto entidades como a Belta acompanham as tendências e o comportamento dos estudantes no exterior, escolas como a Minds atuam na preparação desses alunos, garantindo que cheguem mais seguros e prontos para enfrentar os desafios do ambiente internacional.
"Estudar inglês no Brasil antes de viajar permite que o aluno alcance um nível mais alto e utilize o intercâmbio como uma etapa de aperfeiçoamento, e não de adaptação inicial. Isso potencializa o aprendizado e torna a experiência muito mais rica", completa Rodrigo.