Mudanças climáticas já influenciam escolhas de intercâmbio

Pesquisa Selo Belta 2025 mostra que países de clima mais ameno seguem no top 10, refletindo uma mudança no perfil dos estudantes internacionais

27 abr 2026 - 12h00

Ondas de calor influenciam escolha e mantêm Canadá, Irlanda e Nova Zelândia no top 10 do intercâmbio

O avanço das ondas de calor ao redor do mundo já começa a influenciar decisões que vão além do turismo, e chega com força ao setor de educação internacional. Uma nova geração de estudantes brasileiros têm colocado o clima como fator estratégico na escolha do destino de intercâmbio, priorizando países com temperaturas mais amenas e maior qualidade de vida ao longo do ano.

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Foto: Revista Malu

Dados da Pesquisa Selo Belta 2025, realizada pela Associação Brasileira das Agências de Intercâmbio, mostram que destinos como Canadá, Irlanda e Nova Zelândia permanecem entre os mais procurados pelos brasileiros, todos dentro do top 10 global de preferências.

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O ranking é liderado por Canadá, seguido por Estados Unidos e Reino Unido, com Irlanda e Austrália completando o top 5. Na sequência aparecem Malta, África do Sul, Nova Zelândia, Espanha e Alemanha, um grupo diverso, mas que revela uma tendência. O equilíbrio climático começa a ganhar peso na decisão final.

"Os estudantes estão cada vez mais atentos à experiência completa que o destino oferece. Isso inclui qualidade de vida, bem-estar e, claro, o clima. Países com temperaturas mais equilibradas acabam se destacando nesse novo cenário", afirma Alexandre Argenta, presidente da Belta.

Historicamente, fatores como custo, idioma e possibilidade de trabalho sempre lideraram a escolha de destinos. No entanto, com verões mais intensos na Europa e eventos climáticos extremos em diferentes regiões, o clima passou a ser um critério relevante. Especialmente, para programas de longa duração.

Nesse contexto, países do hemisfério norte e regiões insulares ganham protagonismo.

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Canadá

Líder do ranking, o país se destaca pelo clima frio na maior parte do ano, com invernos rigorosos e verões curtos e amenos. Cidades como Toronto e Vancouver oferecem infraestrutura moderna, segurança e políticas que permitem conciliar estudo e trabalho.

Irlanda

Conhecida como "ilha esmeralda", tem clima oceânico, com temperaturas moderadas ao longo do ano e ausência de extremos. Além disso, combina tradição acadêmica com um mercado aberto para estudantes internacionais, o que ajuda a explicar sua presença constante entre os destinos preferidos.

Nova Zelândia

Com clima temperado e forte contato com a natureza, o país oferece qualidade de vida elevada e menor densidade populacional. Características cada vez mais valorizadas por estudantes que buscam equilíbrio entre estudo e bem-estar.

Reino Unido e Alemanha

Também entram nessa lógica, com estações bem definidas e temperaturas geralmente mais suaves do que em regiões tropicais ou com extremos climáticos recentes.

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Por outro lado, destinos tradicionalmente populares, como Austrália e Malta, seguem no ranking, mas passam a dividir espaço com países que oferecem maior conforto térmico ao longo do ano. A mudança no comportamento dos intercambistas acompanha uma transformação mais ampla no perfil do estudante internacional, que busca experiências completas e sustentáveis.

"Não se trata apenas de estudar fora, mas de viver bem durante esse período. O clima impacta diretamente a rotina, a adaptação e até o desempenho acadêmico", reforça Argenta. O próprio crescimento do setor, com projeção de alta de 17% em 2025, segundo dados da Pesquisa Selo Belta, indica que, mesmo diante de novos critérios de escolha, o interesse pelo intercâmbio segue em expansão.

Alexandre Argenta, especialista do setor, aponta que a variável climática tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Principalmente entre estudantes que optam por programas de longa duração ou experiências híbridas, que combinam estudo e trabalho.

Nesse cenário, destinos com temperaturas equilibradas, infraestrutura urbana e políticas favoráveis a estrangeiros devem continuar em evidência, consolidando uma nova lógica na escolha do intercâmbio: estudar, sim, mas também viver melhor.

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Inglês como principal escolha de idioma

Além das mudanças no comportamento de escolha dos destinos, o idioma continua sendo um dos principais fatores que orientam a decisão dos intercambistas. O inglês segue como a língua mais procurada por estudantes brasileiros. Consolidando-se como ferramenta essencial de comunicação global e ampliando as possibilidades acadêmicas e culturais durante a experiência no exterior.

Nesse contexto, a preparação prévia no Brasil ganha ainda mais relevância. Para Rodrigo Berghahn, Coordenador Pedagógico da Minds Idiomas, iniciar o aprendizado antes do embarque pode fazer toda a diferença na adaptação e no aproveitamento do intercâmbio. "Quando o aluno já chega com uma base estruturada, ele consegue aproveitar melhor as aulas, interagir com mais confiança e evoluir de forma mais consistente ao longo da experiência", explica.

A relação entre instituições de ensino de idiomas e o setor de intercâmbio também se fortalece nesse cenário. Enquanto entidades como a Belta acompanham as tendências e o comportamento dos estudantes no exterior, escolas como a Minds atuam na preparação desses alunos, garantindo que cheguem mais seguros e prontos para enfrentar os desafios do ambiente internacional.

"Estudar inglês no Brasil antes de viajar permite que o aluno alcance um nível mais alto e utilize o intercâmbio como uma etapa de aperfeiçoamento, e não de adaptação inicial. Isso potencializa o aprendizado e torna a experiência muito mais rica", completa Rodrigo.

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