Gobustán: arte rupestre do Azerbaijão, um patrimônio da humanidade

A arte rupestre de Gobustán, no Azerbaijão, apresenta um dos registros mais antigos da presença humana na região do Cáucaso. O sítio fica entre montanhas rochosas e o litoral do mar Cáspio. Ele reúne milhares de gravuras e inscrições que ajudam a entender o modo de vida de grupos pré-históricos. As figuras esculpidas nas rochas […]

5 jan 2026 - 17h33

A arte rupestre de Gobustán, no Azerbaijão, apresenta um dos registros mais antigos da presença humana na região do Cáucaso. O sítio fica entre montanhas rochosas e o litoral do mar Cáspio. Ele reúne milhares de gravuras e inscrições que ajudam a entender o modo de vida de grupos pré-históricos. As figuras esculpidas nas rochas retratam cenas do cotidiano, rituais e animais. Desse modo, oferecem um panorama visual da relação entre seres humanos e ambiente há milhares de anos.

Desde 2007, o Parque Nacional Histórico-Artístico de Gobustán integra a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, o que reforça sua importância arqueológica e cultural. As gravuras rupestres se espalham por uma vasta área, com formações geológicas que favorecem a preservação. Esse conjunto de imagens, símbolos e marcas em pedra atrai especialistas de várias áreas. Eles buscam decifrar significados, técnicas e períodos de produção, muitas vezes com base em estilo, sobreposição de figuras e contexto geológico.

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Foto: depositphotos.com / alexma / Giro 10

O que é a arte rupestre de Gobustán?

arte rupestre de Gobustán consiste principalmente em petroglifos. Ou seja, desenhos gravados em superfícies rochosas por raspagem, incisão ou picoteamento. Pesquisadores estimam que as imagens mais antigas remontem ao período Paleolítico Superior. Outras surgem em épocas muito posteriores, chegando até a era medieval. Essa longa duração indica uso contínuo ou recorrente da região. Portanto, o local funcionou como área de abrigo, passagem ou culto em diferentes fases históricas.

As figuras incluem humanos estilizados, animais de médio e grande porte, embarcações, símbolos geométricos e cenas coletivas. Em muitos casos, as gravuras registram movimentos de caça, danças em grupo e possivelmente práticas cerimoniais. Além disso, alguns painéis mostram barcos alongados, o que sugere circulação pelo mar Cáspio ou contato com outras culturas litorâneas. As diferenças de técnicas e proporções ajudam pesquisadores a separar fases de ocupação. Elas também sugerem transformações nas práticas sociais ao longo do tempo.

Arte rupestre de Gobustán: quais são as principais características?

A expressão "arte rupestre de Gobustán" engloba não só a temática das gravuras, mas também seu estilo visual e a forma como o entorno influencia as imagens. Uma característica marcante aparece na representação de figuras humanas com corpo alongado e membros finos. Muitas vezes, essas figuras se encontram em posição dinâmica, como se corressem, dançassem ou caçassem. Em diversos painéis, esses personagens aparecem dispostos em círculo ou em fileiras. Esse arranjo pode indicar reuniões coletivas, rituais ou jogos.

Os animais mais frequentes incluem cabras-monteses, bois selvagens e cervos. Em algumas áreas, surgem figuras que lembram felinos ou cães. A proporção entre humanos e animais varia bastante. Assim, essa variação provavelmente reflete o papel da caça e da criação na economia local em diferentes momentos históricos. Em algumas rochas, observamos sobreposições de gravuras, onde figuras mais recentes ocupam o lugar de desenhos antigos. Esse padrão demonstra um uso prolongado do mesmo "painel" natural. Além disso, ele indica uma memória gráfica mantida por gerações sucessivas.

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  • Técnica: gravura por raspagem, incisão e picoteamento na rocha.
  • Temática: cenas de caça, dança, deslocamento em barcos e animais isolados.
  • Estilo: figuras humanas esquemáticas e alongadas, com foco no movimento.
  • Distribuição: milhares de imagens espalhadas por diversas colinas e abrigos rochosos.

Como os arqueólogos estudam a arte rupestre de Gobustán?

O estudo da arte rupestre de Gobustán envolve uma combinação de métodos arqueológicos, geológicos e tecnológicos. Em campo, as equipes realizam mapeamentos detalhados dos painéis, registrando posição, orientação e estado de conservação. Além disso, a fotogrametria e o escaneamento 3D ganham espaço e permitem a criação de modelos digitais de alta precisão. Esses modelos preservam virtualmente as gravuras e permitem acompanhar, ao longo dos anos, possíveis desgastes causados por clima, erosão ou ação humana.

A ausência de materiais orgânicos diretamente associados à rocha gravada dificulta a datação absoluta. Por isso, muitos estudos se baseiam em:

  1. Análise estilística: comparação de formas, proporções e técnicas entre diferentes painéis e com outros sítios da região.
  2. Estratigrafia arqueológica: escavações próximas às rochas, em busca de vestígios de ocupação humana, como ferramentas de pedra, cerâmica ou restos de fogueiras.
  3. Contexto geológico e climático: avaliação de alterações na paisagem que possam influenciar a escolha do local ou o significado das imagens.

Esses procedimentos permitem a construção de hipóteses sobre a cronologia e a função social das gravuras. Desse modo, pesquisadores relacionam o que observam na rocha com mudanças na economia, nas rotas de circulação e nos sistemas de crença de grupos que ocuparam Gobustán ao longo de milhares de anos.

Qual é a importância da arte rupestre de Gobustán atualmente?

No contexto atual, a arte rupestre de Gobustán cumpre diferentes papéis. Do ponto de vista científico, ela funciona como um arquivo visual de longa duração, essencial para entender a pré-história do Cáucaso e as conexões entre populações daquela área e de outras regiões da Eurásia. As imagens permitem investigar temas como mobilidade, caça, domesticação de animais e formas de organização coletiva. Assim, elas oferecem dados complementares a restos ósseos e artefatos.

Em termos culturais, Gobustán ocupa posição central na construção da identidade histórica do Azerbaijão. O parque recebe visitantes de vários países, o que impulsiona o turismo cultural e exige políticas de preservação. Nos últimos anos, gestores implantam medidas de controle de acesso, sinalização e ações educativas para reduzir riscos de vandalismo e desgaste. A gestão busca equilibrar pesquisa, visitação e conservação. Dessa forma, o parque mantém a integridade dos painéis para que continuem a servir como fonte de informação para futuras gerações.

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Assim, a arte rupestre de Gobustán permanece como um dos principais testemunhos gráficos da trajetória humana na região. Ela articula memória, ciência e patrimônio em um mesmo conjunto de rochas marcadas ao longo de milênios.

Foto: depositphotos.com / kerenby / Giro 10
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