Como é fazer turismo na Groenlândia

O destino é a maior ilha do mundo [...]

16 jan 2026 - 09h46

No centro das discussões geopolíticas, desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar na aquisição da ilha, a Groenlândia é um dos destinos mais fascinantes do planeta.

A maior ilha do mundo tem 2,16 milhões de km², incluindo outras ilhas menores, e quase 80% de sua massa terrestre é coberta por uma calota polar (pelo menos, era assim até o aceleramento do aquecimento global).

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Em 1953, a ilha se tornou parte da Dinamarca, mas esse país nórdico concede diferentes status de autogoverno à Gronelândia, desde o final da década de 1970, transferindo ainda mais poder de decisão e mais responsabilidades para a ilha.

Mas nem só com discussões políticas se conta a sua história.

Ittoqqortoormiit
Ittoqqortoormiit
Foto: Eduardo Vessoni / Viagem em Pauta

Groenlândia

Apesar de estar, geograficamente, na América do Norte, a Groenlândia pertence à Europa e, consequentemente, sua população é europeia e goza dos benefícios da União Europeia.

Com uma das menores densidades demográficas do planeta (0,14 pessoas por km²), a ilha tem 80% de seu território coberto por gelo. Porém, a ilha já foi conhecida como 'Terra Verde', pois contava com vegetação abundante, há mais de 2,5 milhões de anos, segundo cientistas.

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Seus primeiros habitantes foram os indígenas inuítes da América do Norte, há 4.500 anos, e desde então pouco parece ter mudado por ali, mesmo após a passagem de expedições inglesas e norueguesas.

Visitar a Groenlândia é fazer uma viagem profunda na cultura, que é chamada, de forma pejorativa, de esquimó.

Aeroporto em Sermersooq
Foto: Eduardo Vessoni / Viagem em Pauta

A principal entrada para a ilha é a costa oeste, onde fica a capital Nuuk, cuja população de quase 20 mil pessoas faz do destino o maior da Groenlândia. Mas, em 2018, o Viagem em Pauta resolveu fez diferente e tomou o caminho mais difícil.

Em São Paulo, peguei um voo até Londres, na Inglaterra, e mais um até Reykjavik, capital da Islândia. De lá, outro até Akureyri, no norte islandês, e um último para o minúsculo Nerlerit Inaat Airport, em Sermersooq.

Sem falar de uma última etapa de helicóptero, um voo curto de 15 minutos sobre um dos maiores sistemas de fiordes do mundo até Ittoqqortoormiit, a cidade mais isolada da Groenlândia, na costa leste.

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As cidades groenlandesas não contam com acesso terrestre, por isso deslocamentos são feitos em aviões de pequeno porte ou por vias marítimas, durante o verão.

Arquivo Pessoal
Foto: Viagem em Pauta

Turismo na Groenlândia

Tradicionalmente, território de pescadores e caçadores, o turismo representa hoje 60% da economia de Ittoqqortoormiit, segundo a empresária Mette Barselajsen.

Com acesso único por helicóptero, nos meses de inverno, Ittoqqortoormiit tem menos de 500 habitantes que moram em construções coloridas de madeira que quase desaparecem no cenário branco que toma conta do destino, durante quase todo o ano.

E quando aquela gente insistente do Ártico não está atrás de caça, os mesmos caçadores se transformam em guias de tours em motocicletas de neve e até safáris de observação de ursos polares.

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Outra atividade tradicional que virou experiência para turista são os passeios em trenós puxados por cachorros.

Essas rústicas tiras de madeira para transporte humano e de cargas são puxadas por grupos de até 12 cachorros e seguem para setores mais afastados, como Gulfjelde ou Kap Tobin, um vilarejo abandonado que só volta a ter vida humana, na curta temporada de verão.

Ittoqqortoormiit
Foto: Eduardo Vessoni / Viagem em Pauta

Em Ittoqqortoormiit, o silêncio só é quebrado pelos uivos excitados dos cachorros, no início da manhã, e pelas alucinadas motos de neve que riscam estradas que se fundem com o horizonte branco, outra atração turística da região (dessa vez, motorizada), bordeando a baía de Rosenvinge (Rosenvinge Bugt) até Kap Hope, outro povoado local que fica deserto, nos meses de inverno.

Com ¾ da ilha cobertos por gelo, a Groenlândia tem em Ittoqqortoormiit o Scoresby Sund, o maior sistema de fiordes do planeta, onde é possível praticar caiaque nos meses de verão.

Difícil mesmo é encarar o frio do lado de fora.

VEJA VÍDEO

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Quando ir

Naquelas terras de tundra, a temperatura média anual é de -7.5°C, um dos lugares habitados mais frios do planeta, onde o alto verão tem termômetros marcando 3.3°C. Na manhã de retorno, durante a espera do helicóptero para Constable Point, por exemplo, o termômetro marcava 11 graus negativos, com sensação térmica de 23 graus negativos.

E quer saber? Eu faria tudo de novo.

A temporada vai de março a agosto, aproximadamente, quando chega o maior número de turistas, embarcados em cruzeiros que fazem roteiros de verão no Ártico.

Mas é no inverno que a cidade oferece atrações como travessias em trenós de cachorros ou em motos de neve, e a Aurora Boreal paralisa visitantes com a dança de luzes esverdeadas no céu, entre setembro e abril.

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