A enxaqueca possui um forte componente genético, mas não depende apenas da herança familiar. Especialistas alertam que diversos fatores do dia a dia podem agravar a frequência e a intensidade das crises.
Segundo o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), algumas condições aumentam o risco de progressão da doença.
Entre elas estão tabagismo, obesidade, privação de sono e uso excessivo de medicamentos para dor.
Além disso, alguns fatores não podem ser modificados, como o histórico familiar e o sexo biológico.
Mulheres sofrem mais com enxaqueca
Estudos populacionais mostram que mulheres têm cerca de três vezes mais enxaqueca do que homens.
Isso ocorre porque as oscilações hormonais influenciam diretamente o funcionamento do sistema nervoso.
Mudanças nos níveis de estrogênio durante menstruação, ovulação, gravidez e menopausa podem aumentar a excitabilidade neuronal.
Esse processo também influencia a liberação de neurotransmissores relacionados à dor, como serotonina e CGRP.
Uso excessivo de remédios pode piorar o quadro
Outro ponto de atenção envolve o uso frequente de medicamentos para aliviar crises.
Segundo o especialista, tomar muitos remédios pode provocar um quadro chamado cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
Nesse caso, os remédios deixam de controlar a doença e passam a contribuir para o aumento das dores.
O risco de enxaqueca crônica cresce principalmente quando o paciente tem três ou mais dias de crises por mês.
Como o tratamento ajuda a reduzir as crises
O tratamento adequado busca reduzir a frequência das crises ao longo do tempo.
Segundo o neurologista, o cérebro cria um "caminho" para a dor. Quanto mais crises ocorrem, mais fácil esse caminho se torna.
Por isso, o objetivo da terapia é diminuir a frequência dessas ativações neurológicas.
Entre os tratamentos utilizados estão:
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toxina botulínica, aplicada em pontos específicos para reduzir a sensibilidade à dor.
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medicamentos monoclonais anti-CGRP, desenvolvidos especificamente para tratar enxaqueca.
Em alguns casos de enxaqueca crônica, a combinação dessas terapias pode apresentar resultados ainda melhores.
Mudanças no estilo de vida ajudam no controle
Além do tratamento médico, mudanças no estilo de vida são fundamentais para controlar a doença.
Especialistas recomendam alguns cuidados importantes:
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manter horários de sono regulares.
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praticar exercícios físicos de 30 a 50 minutos, três a cinco vezes por semana.
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fazer refeições regulares e evitar longos períodos de jejum.
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manter boa hidratação.
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identificar gatilhos com um diário de enxaqueca.
Técnicas de relaxamento e mindfulness também podem ajudar a reduzir o estresse e a frequência das crises.
Segundo o especialista, pequenas mudanças no dia a dia podem fazer grande diferença.
Controlar hábitos, reduzir estímulos excessivos e tratar corretamente a doença ajuda a melhorar a qualidade de vida de quem convive com enxaqueca.
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