Você herdou a enxaqueca? Especialistas alertam para fator que agrava

Doença tem componente genético, mas hábitos e estilo de vida podem piorar crises

12 mar 2026 - 18h15

A enxaqueca possui um forte componente genético, mas não depende apenas da herança familiar. Especialistas alertam que diversos fatores do dia a dia podem agravar a frequência e a intensidade das crises.

Enxaqueca tem origem genética, mas fatores do estilo de vida podem agravar crises
Enxaqueca tem origem genética, mas fatores do estilo de vida podem agravar crises
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Segundo o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), algumas condições aumentam o risco de progressão da doença.

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Entre elas estão tabagismo, obesidade, privação de sono e uso excessivo de medicamentos para dor.

Além disso, alguns fatores não podem ser modificados, como o histórico familiar e o sexo biológico.

Mulheres sofrem mais com enxaqueca

Estudos populacionais mostram que mulheres têm cerca de três vezes mais enxaqueca do que homens.

Isso ocorre porque as oscilações hormonais influenciam diretamente o funcionamento do sistema nervoso.

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Mudanças nos níveis de estrogênio durante menstruação, ovulação, gravidez e menopausa podem aumentar a excitabilidade neuronal.

Esse processo também influencia a liberação de neurotransmissores relacionados à dor, como serotonina e CGRP.

Uso excessivo de remédios pode piorar o quadro

Outro ponto de atenção envolve o uso frequente de medicamentos para aliviar crises.

Segundo o especialista, tomar muitos remédios pode provocar um quadro chamado cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

Nesse caso, os remédios deixam de controlar a doença e passam a contribuir para o aumento das dores.

O risco de enxaqueca crônica cresce principalmente quando o paciente tem três ou mais dias de crises por mês.

Como o tratamento ajuda a reduzir as crises

O tratamento adequado busca reduzir a frequência das crises ao longo do tempo.

Segundo o neurologista, o cérebro cria um "caminho" para a dor. Quanto mais crises ocorrem, mais fácil esse caminho se torna.

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Por isso, o objetivo da terapia é diminuir a frequência dessas ativações neurológicas.

Entre os tratamentos utilizados estão:

  • toxina botulínica, aplicada em pontos específicos para reduzir a sensibilidade à dor.

  • medicamentos monoclonais anti-CGRP, desenvolvidos especificamente para tratar enxaqueca.

Em alguns casos de enxaqueca crônica, a combinação dessas terapias pode apresentar resultados ainda melhores.

Mudanças no estilo de vida ajudam no controle

Além do tratamento médico, mudanças no estilo de vida são fundamentais para controlar a doença.

Especialistas recomendam alguns cuidados importantes:

  • manter horários de sono regulares.

  • praticar exercícios físicos de 30 a 50 minutos, três a cinco vezes por semana.

  • fazer refeições regulares e evitar longos períodos de jejum.

  • manter boa hidratação.

  • identificar gatilhos com um diário de enxaqueca.

Técnicas de relaxamento e mindfulness também podem ajudar a reduzir o estresse e a frequência das crises.

Segundo o especialista, pequenas mudanças no dia a dia podem fazer grande diferença.

Controlar hábitos, reduzir estímulos excessivos e tratar corretamente a doença ajuda a melhorar a qualidade de vida de quem convive com enxaqueca.

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