O Brasil é o 7º maior consumidor de medicamentos do mundo — e mais de 90% da população admite se automedicar. Esse hábito, alimentado cada vez mais pelas redes sociais, coloca a saúde de milhões de pessoas em risco.
Parte desse comportamento tem um nome: a chamada "tiktokização" da saúde. O fenômeno transforma influenciadores digitais em substitutos do médico, promovendo remédios e suplementos sem qualquer base científica.
Quando as redes sociais viram consultório
A psiquiatra Dra. Cláudia Ketter, professora da Afya Educação Médica São Paulo, explica que esse movimento tem raízes psicológicas profundas. Segundo ela, algoritmos e conteúdos repetidos criam o chamado "efeito de verdade ilusória".
"As falsas relações com influenciadores criam um vínculo de confiança não recíproco, porém psicologicamente potente", afirma a especialista. Esse vínculo oferece respostas rápidas e simples — muito mais atraentes do que uma consulta médica demorada.
O resultado é uma busca crescente por soluções fora do consultório. Uma pesquisa da Afya, em parceria com a healthtech Conexa, revelou que 49% dos pacientes já usam inteligência artificial para tratar questões de saúde.
O que está por trás da busca por alívio imediato
A Dra. Cláudia aponta que há um fator cultural importante nesse cenário. "Há evidências de baixa tolerância ao sofrimento e maior busca por alívio imediato, reforçada pela tecnologia digital, que oferece gratificação instantânea, muito dopaminérgica", observa.
Emoções comuns do cotidiano, como tristeza, ansiedade e frustração, estão sendo tratadas como doenças. Com isso, cresce o uso equivocado de ansiolíticos, antidepressivos e misturas de fármacos com produtos naturais.
Esses casos, antes dominados por analgésicos, já aparecem com frequência nas emergências brasileiras. É uma mudança de perfil que preocupa especialistas em saúde pública.
Os riscos que vão além do remédio errado
A automedicação mata cerca de 20 mil pessoas por ano no Brasil. Além disso, está associada a um aumento de 18% nas internações por intoxicação, segundo dados levantados por pesquisadores da área.
Sem acompanhamento médico, os problemas se multiplicam. Veja os principais riscos.
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Doenças mascaradas por medicamentos tomados sem diagnóstico.
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Interações perigosas entre remédios e suplementos naturais.
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Tratamentos iniciados de forma errada, agravando o quadro clínico.
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Dependência de substâncias usadas sem indicação profissional.
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Atraso no diagnóstico correto de condições sérias.
Cada um desses pontos representa um risco real e evitável. A diferença está em buscar orientação qualificada antes de qualquer decisão.
Como cuidar da saúde com mais responsabilidade
A Dra. Cláudia defende uma abordagem mais humanizada e criteriosa. Para ela, "o medicamento é uma ferramenta, não uma solução universal para a vida".
Algumas atitudes fazem diferença no dia a dia.
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Consulte um médico antes de iniciar qualquer medicamento ou suplemento
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Desconfie de conteúdos de saúde que prometem resultados rápidos nas redes
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Não use remédios por indicação de influenciadores, mesmo que pareçam confiáveis
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Informe seu médico sobre todos os produtos que consome, incluindo naturais
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Valorize o acompanhamento contínuo, não apenas consultas pontuais
Cuidar da saúde exige tempo, escuta e profissional habilitado. Nenhum algoritmo substitui isso.