Pesquisa revela que idosos e minorias étnicas mantêm baixos níveis de vitamina D mesmo no verão

Um estudo recente da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, trouxe novos dados sobre a relação entre exposição ao sol e vitamina D. Ela apontou que idosos e minorias étnicas mantêm níveis baixos dessa vitamina mesmo no verão.

24 jun 2026 - 20h02

Um estudo recente da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, trouxe novos dados sobre a relação entre exposição ao sol e vitamina D. A pesquisa indica que o sol do verão, muitas vezes visto como suficiente para "repor" essa vitamina, pode não normalizar os níveis em todas as pessoas. Idosos e indivíduos de origens étnicas minoritárias apareceram entre os grupos com maior risco de manter índices baixos ao longo de todo o ano.

Realizado no norte da Grã-Bretanha, o estudo acompanhou cerca de 300 participantes durante diferentes estações, inclusive nos meses mais ensolarados. Os pesquisadores avaliaram a concentração de vitamina D no sangue e cruzaram essas informações com características como idade, cor da pele e hábitos de exposição solar. Os resultados sugerem que a simples presença de dias claros no verão não garante que todos atinjam níveis considerados adequados.

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Idosos e indivíduos de origens étnicas minoritárias apareceram entre os grupos com maior risco de manter índices baixos de vitamina d ao longo de todo o ano, segundo o estudo – depositphotos.com / africapink80@gmail.com
Idosos e indivíduos de origens étnicas minoritárias apareceram entre os grupos com maior risco de manter índices baixos de vitamina d ao longo de todo o ano, segundo o estudo – depositphotos.com / africapink80@gmail.com
Foto: Giro 10

Vitamina D: por que a exposição ao sol nem sempre basta?

A vitamina D é produzida principalmente quando a pele é exposta à radiação ultravioleta B (UVB). No entanto, o estudo da Universidade de Newcastle aponta que essa produção não ocorre de forma uniforme em toda a população. Fatores como idade avançada, pigmentação da pele mais escura e menor tempo ao ar livre interferem diretamente na capacidade do organismo de sintetizar essa substância, mesmo em períodos de maior luminosidade.

Entre os idosos avaliados, os níveis de vitamina D permaneceram baixos em todas as estações. A pesquisa relaciona esse cenário à redução natural da eficiência da pele em produzir a vitamina à medida que a idade avança. Além disso, muitas pessoas mais velhas passam menos tempo expostas ao sol, seja por limitações de mobilidade, rotina doméstica ou cuidados com outras condições de saúde. O conjunto desses fatores ajuda a explicar por que o verão, sozinho, não corrige essa deficiência nesse grupo.

Como a cor da pele influencia a vitamina D?

Outro ponto central do estudo é o impacto da pigmentação da pele na síntese de vitamina D. Participantes pertencentes a minorias étnicas, com pele mais escura, apresentaram níveis consistentemente baixos durante todo o ano, inclusive no auge do verão britânico. A melanina, responsável pela cor da pele, age como um filtro natural contra a radiação UVB. Isso significa que, em peles escuras, é necessário mais tempo de exposição solar para produzir a mesma quantidade de vitamina em comparação com peles claras.

Os pesquisadores destacam que essa diferença não está ligada a questões de saúde pré-existentes, mas a uma característica biológica da pigmentação. Em regiões com menor intensidade de luz solar, como o norte da Grã-Bretanha, essa condição se torna mais relevante. Assim, mesmo com dias mais longos e claros no verão, a radiação disponível pode não ser suficiente para compensar a barreira criada pela maior quantidade de melanina. Assim, mantendo a vitamina D em patamares abaixo do recomendado.

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Os pesquisadores destacam que essa diferença não está ligada a questões de saúde pré-existentes, mas a uma característica biológica da pigmentação – depositphotos.com / SyhinStas
Foto: Giro 10

Menor exposição ao sol é sempre um risco para a vitamina D?

A equipe de Newcastle também observou o papel do comportamento diário na produção de vitamina D. Participantes que passavam grande parte do tempo em ambientes internos, trabalhavam em escritórios fechados ou evitavam o sol por receio de danos à pele tendiam a apresentar níveis menores da vitamina. Esse padrão apareceu tanto em adultos mais jovens quanto em pessoas mais velhas, sugerindo que o estilo de vida moderno, com longas jornadas em espaços fechados, contribui para a deficiência.

Os autores do estudo ressaltam que a proteção contra queimaduras solares e câncer de pele continua sendo uma recomendação importante. No entanto, os dados indicam que parte da população pode não estar alcançando sequer o mínimo de exposição necessário para manter níveis adequados de vitamina D. De acordo com o trabalho, idade, pigmentação e hábitos de exposição se somam e ajudam a entender por que o verão, por si só, não garante reservas suficientes dessa vitamina em todos os grupos, reforçando a necessidade de avaliações individualizadas por profissionais de saúde.

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