Parar de fumar faz bem em qualquer idade, alerta especialista

Abandonar o tabagismo traz benefícios à saúde mesmo após anos de consumo

28 ago 2026 - 15h26
Resumo
Parar de fumar traz benefícios imediatos e a longo prazo para a saúde em qualquer idade, reduzindo o risco de infartos, DPOC e vários tipos de câncer. Dados do Vigitel mostram que o hábito ainda atinge muitos adultos e idosos no Brasil. Especialistas alertam que alternativas como charutos e cigarros eletrônicos continuam altamente prejudiciais. Para superar a dependência física e comportamental do tabaco, a recomendação principal é buscar acompanhamento médico e apoio especializado.

O tabagismo pode acompanhar uma pessoa durante décadas. Mas o tempo de consumo não deve ser um motivo para desistir de parar de fumar. Abandonar o cigarro traz benefícios à saúde e interrompe a exposição contínua a substâncias relacionadas a doenças cardiovasculares, respiratórias e diferentes tipos de câncer.

Entenda por que nunca é tarde para parar de fumar
Entenda por que nunca é tarde para parar de fumar
Foto: divulgação/Magnific / Saúde em Dia

Os dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, mostram que o hábito continua presente entre os adultos. Nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, 11,5% dos entrevistados declararam ser fumantes.

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Quando o levantamento considera tanto o cigarro convencional quanto os dispositivos eletrônicos para fumar, o percentual chega a 13,1%.

O consumo também aparece entre pessoas mais velhas. Entre os entrevistados de 55 a 64 anos, 12,4% declararam fumar cigarros ou utilizar dispositivos eletrônicos. Já entre aqueles com 65 anos ou mais, o índice foi de 10,6%.

Os números ganham destaque no Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto.

Segundo o pneumologista e superintendente nacional de Práticas Assistenciais da MedSênior, Cristiano Nascimento, parar de fumar pode trazer benefícios em qualquer idade.

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"Existe a ideia equivocada de que, depois de décadas fumando, parar já não fará tanta diferença. Mas nunca é tarde para parar de fumar. Não devemos olhar apenas para os anos em que a pessoa fumou, mas também para os que ainda têm pela frente. Interromper a exposição às substâncias tóxicas do tabaco contribui para preservar a saúde, a capacidade funcional e a qualidade de vida", explica o médico.

Tabagismo vai além do câncer de pulmão

O câncer de pulmão é uma das doenças mais associadas ao cigarro. Porém, os efeitos do tabagismo atingem diferentes partes do organismo.

O consumo de produtos derivados do tabaco está relacionado a doenças cardiovasculares e respiratórias. Também está associado a diferentes tipos de câncer, incluindo tumores de boca e garganta.

Entre as doenças respiratórias relacionadas ao hábito está a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A condição causa uma limitação persistente do fluxo de ar.

A DPOC pode envolver alterações das vias aéreas e dos alvéolos, como o enfisema.

Alguns sinais podem indicar a necessidade de investigação, como:

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  • Falta de ar.
  • Tosse persistente.
  • Chiado no peito.
  • Dificuldade para realizar atividades do dia a dia.

De acordo com Cristiano Nascimento, é comum que algumas pessoas adaptem a rotina às limitações respiratórias sem perceber a progressão do problema.

"Passa a evitar escadas, reduz caminhadas ou faz mais pausas. Especialmente após os 50 anos, é importante não atribuir automaticamente a falta de ar e a redução da disposição ao envelhecimento. Sintomas persistentes precisam ser investigados", alerta o pneumologista.

Charuto também oferece riscos

O charuto não é uma alternativa segura ao cigarro convencional.

Mesmo quando a fumaça não é tragada, existe exposição à nicotina e a substâncias tóxicas e cancerígenas.

O consumo também está associado a cânceres de boca, língua, garganta e esôfago.

Por isso, trocar o cigarro pelo charuto não elimina os riscos relacionados ao tabaco.

E o cigarro eletrônico?

Os dispositivos eletrônicos para fumar também oferecem riscos à saúde.

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Eles podem utilizar líquidos com ou sem nicotina. Ainda assim, os aerossóis produzidos podem conter substâncias tóxicas e potencialmente prejudiciais ao organismo.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses produtos.

Cristiano Nascimento reforça que também é importante combater a ideia de que o cigarro eletrônico é inofensivo.

"Mesmo os dispositivos sem nicotina podem expor o organismo a substâncias nocivas presentes nos aerossóis. Para quem deseja parar de fumar, o mais indicado é buscar estratégias reconhecidas para o tratamento da dependência, preferencialmente com orientação profissional", explica.

O que acontece com o corpo depois de parar de fumar?

Os benefícios de abandonar o cigarro começam pouco tempo depois da interrupção do consumo.

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), essas mudanças continuam ao longo dos anos.

Veja alguns dos benefícios:

  • Após 20 minutos: a pressão sanguínea e a pulsação retornam aos níveis normais.
  • Após 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza.
  • Após 3 semanas: a respiração e a circulação apresentam melhora.
  • Após 1 ano: o risco de morte por infarto do miocárdio é reduzido pela metade.

Quero parar de fumar. Por onde começar?

A dependência da nicotina envolve aspectos físicos e comportamentais. Por isso, parar de fumar nem sempre depende apenas de força de vontade.

O tratamento pode envolver acompanhamento comportamental e, quando indicado, medicamentos. A definição da estratégia deve ser feita por um profissional de saúde.

Algumas medidas podem ajudar nesse processo:

  • Estabeleça uma data para parar de fumar.
  • Identifique os gatilhos associados à vontade de fumar.
  • Retire cigarros, charutos, cinzeiros e isqueiros do ambiente.
  • Mude pequenas rotinas nos momentos que costumavam estar associados ao cigarro.
  • Conte com familiares e amigos como rede de apoio.
  • Procure acompanhamento profissional para avaliar o grau de dependência e definir a estratégia mais adequada.

O processo pode ser diferente para cada pessoa. Algumas conseguem interromper o consumo de uma vez. Outras precisam de acompanhamento e tratamento.

"Uma tentativa que não deu certo não deve ser encarada como motivo para desistir", reforça Cristiano Nascimento.

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